Construtora é acusada de explorar trabalho escravo no Rio
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 01 (AE) - A direção da Construtora Serra Dágua, com sede em Angra dos Reis, no sul fluminense, está sendo acusada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Construção Civil de explorar trabalho escravo em uma obra para instalação de torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas, em Magé, no Grande Rio. O delegado Antônio Silvino, titular da 65ª DP (Magé), investiga a denúncia de que pelo menos 12 homens trabalham há seis meses sem receber salários.
Eles teriam sido recrutados em outros Estados para ganhar R$ 8 50 por metro cúbico de terra escavada, o que daria, em média, R$ 400,00 mensais. Pelo acordo, passagem, alojamento e alimentação seriam descontados no final do mês. Até agora, os operários teriam recebido apenas adiantamentos de no máximo R$ 50,00. O restante seria para supostas dívidas, que aumentam mês a mês.
"Os operários trabalhavam 12 horas por dia, sete dias por semana e não folgaram nem nas festas de final de ano", afirmou o diretor do sindicato Carlos Antônio Melchíades.
Ameaças - O operário José Paulo da Silva Neto, de 33 anos, foi o primeiro a ser ouvido pelo delegado Silvino, hoje à tarde Ele contou que saiu de Pernambuco em julho e desde então trabalha na Serra Dágua, mas até hoje não recebeu dinheiro - apenas vales alimentação e moradia. "Eles vivem em chiqueirinhos", afirmou o delegado Silvino.
Silva Neto contou que ele e os colegas eram ameaçados pelo proprietário da empresa, Jair de Carvalho, caso denunciassem a empreiteira. O empresário vai ser indiciado por atentado contra liberdade de trabalho (obrigar alguém a trabalhar sob coação) e frustração de direito assegurado por lei, já que nenhum dos operários tem carteira assinada. A pena para este tipo de crime varia de dois meses a dois anos de prisão. "Ainda estou analisando se ele será indiciado por redução à condição análoga de escravo", afirmou Silvino.
Carvalho não foi localizado para comentar a denúncia. Ele vai ser ouvido pela polícia ainda esta semana.


