Construções ruins são culpadas por alto número de vítimas
Istambul, 18 (AE-AP) - Aymur Turanoglu pega um pedaço de escombro de uma parede do prédio de sete andares onde residia sua família. Ela pega o pedaço da parede e a poeira se espalha. Ela solta e o bloco se parte em pedaços. "Era tudo areia", grita ela amargurada, antes de começar a chorar.
Quando os moradores das cidades rurais da Turquia começaram a chegar em Istambul há alguns anos em busca de trabalho, os empregadores cometeram um crime ao construir precipitadamente blocos de apartamentos de má qualidade.
Quando ocorreu o forte terremoto de terça-feira, o crime tornou-se literal quando os blocos de casas baratas e não-inspecionadas vieram abaixo, esmagando milhares de pessoas enquanto dormiam.
"Assassinos!", publicou o jornal Hurriyet em sua primeira página, com a inscrição sobrepondo a fotografia de uma jovem mulher sem vida semi-enterrada nos escombros.
Apesar de a região ter sofrido com muitos terremotos durante a última década, especialistas dizem que pouco foi feito para resolver o problema de construtoras clandestinas que não trabalham com alvará e economizam nos materiais ou para autoridades que não garantem o cumprimento de seus próprios códigos de construção.
Logo após ao pior tremor de terra já registrado na Turquia, o primeiro-ministro Bulent Ecevit prometeu uma ofensiva contra construtores inescrupulosos. "O preço pelo comportamento irresponsável é muito alto para o nosso povo", disse ele a jornalistas em Ancara. "Nós tomaremos atitudes contra isto."
Mas outros reclamam que o poderoso lobby das empreiteiras e um sistema político corrupto combinam para atrasar as reformas. "Eles disseram o mesmo no ano passado" depois de um terremoto em Adana matar 144 pessoas, disse Feray Salman, da Associação Turca de Engenheiros e Arquitetos. "Há dois anos e há 10 anos. Mas as medidas necessárias não são tomadas."
"Ninguém aprendeu nenhuma lição das amargas experiências do passado", comentou Ali Sinan, chefe do departamento de arquitetura da Universidade Selcuk, na cidade de Konya. "Espero que eles aprendam desta vez."





