São Paulo, 7 (AE) - Depois de muita insegurança, o setor de imóveis, encorajado pela queda do dólar e dos juros, já prepara o lançamento de empreendimentos adiados por conta da desvalorização cambial. A Rossi, maior incorporadora de São Paulo, e a Inpar, uma das quatro primeiras do ranking paulista, prometem, a partir deste mês, desengavetar os lançamentos inicialmente previstos para o primeiro trimestre.
O vice-presidente do Sinduscon (o sindicato da construção), Eduardo Zaidan, também aposta na volta dos investimentos, sobretudo a partir do segundo semestre. "Os empresários devem retomar os projetos postergados", prevê.
Apostando que o pior da crise já passou, a Inpar e a Rossi acreditam em faturamento mais gordo para este ano. A primeira pretende aumentar as vendas de R$ 120 milhões em 98 para R$ 300 milhões em 99, diz seu diretor de incorporações, Gerson Bendilati.
Mais cautelosa, a Rossi prefere não citar números. Ainda assim, quer brindar o fim do ano com receita maior que os R$ 88 milhões de 97 e os R$ R$ 106 milhões de 98. Quem diz é o diretor comercial da empresa, Luiz Fernando Valle.
Para 2000, ele considera possível atingir a cifra de R$ 200 milhões. Suas previsões pressupõem queda dos juros para algo entre 18% e 20% no fim do ano.
Ambas as empresas, temendo juros altos e a falta de definição quanto ao quanto ao rumo da economia, adiaram todos os lançamentos previstos para o primeiro trimestre. Ainda assim, a Inpar faturou no período R$ 42 milhões com a venda de 390 unidades - bem mais que os mais que os R$ 18 milhões, com 124 unidades, registrados em igual período do ano passado.
"O quadro que parecia tenebroso não se confirmou e acabamos temos o melhor primeiro trimestre desde que a empresa foi criada, em 91", diz Bendilati.
Ele tem explicações para o bom desempenho: "Muita gente comprou imóveis temendo um confisco". E continua: "Houve também quem tinha poupança em dólar e aproveitou a alta para investir no setor imobiliário".
A situação da Rossi é diferente. "As vendas do trimestre ficaram abaixo dos primeiros três meses do ano passado", diz Valle, sem, porém, citar cifras. Segundo ele, partir deste mês os negócios ganharão novo fôlego.
Em abril a empresa promove, com um mês de atraso, o lançamento de um conjunto de prédios residenciais em Campinas. Em maio, lança empreendimento similar, previsto inicoalmente para este mês. Cada projeto deve consumir investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.
Já a Inpar tem dois lançamentos para junho: um flat em São Paulo e um projeto de prédios populares, ambos previstos inicialmente para o primeiro trimestre.
Apesar da retomada dos investimentos, Zaidan, acredita em retomada do nível de emprego do setor só no ano que vem. "Por enquanto, as obras novas vão apenas substituir as que estão terminando", afirma. Desde setembro, a construção civil já cortou 44,7 mil vagas no Estado de São Paulo, o equivalente à retração de 10%.

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