São Paulo, 01 (AE) - O setor da construção civil prevê queda nas atividades ligadas ao setor público e consequentemente o aumento do desemprego no primeiro semestre deste ano. A avaliação é do assessor-técnico do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo, Sinicesp, Otávio Camilo Pereira de Almeida. Segundo ele, a decisão do governo paulista, de "congelar" por seis meses cerca de 50% dos recursos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), previstos no orçamento de 99, vai provocar uma retração no no mercado. Segundo o decreto 43.784, assinado em 7/1/99, o DER terá que cortar pela metade a verba mensal de R$ 32,2 milhões destinada ao pagamento de investimentos em contratos de conservação ou duplicação de rodovias estaduais no primeiro semestre.
Com isso, as atividades da construção civil devem se concentrar nos projetos de setor privado. Segundo Almeida, não deve haver redução do ritmo de trabalho nos projetos de investimento em estradas estaduais, que estão sendo administrados pelas empresas concessionárias privadas. Atualmente, cerca de quatro mil quilômetros de estradas estão sendo explorados pelo setor privado, por meio de contratos de concessão. A continuidade das obras, explica Almeida, é garantida pela origem dos recursos, que vêm, prioritariamente, dos pedágios recolhidos nas estradas estaduais e, portanto, não dependem do investimento público.
Será do setor privado também, disse Almeida, que virá a contratação da mão-de-obra. Segundo pesquisa divulgada na última sexta-feira pelo Sinicesp, o nível de emprego na construção pesada no Estado de São Paulo caiu 15,88% no ano passado em relação a 97, o que equivale a 7.663 dispensas. Apenas em dezembro foram cortadas 2.989 vagas, como consequência do término das obras das estações Vila Madalena e Sumaré do Metrô de São Paulo, e da decisão da Sabesp de reduzir o ritmo ou paralisar obras de saneamento básico no Estado.

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