São Paulo, 7 (AE) - A construção civil demitiu perto de 60 mil trabalhadores em todo o estado de São Paulo entre janeiro e abril deste ano. São pessoas saídas dos canteiros de obras e a expectativa é de que esse número cresça, caso os investimentos em habitação e infraestrutura não sejam retomados e a indústria de insumos para o setor da construção comece a demitir. Esses dados, do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP), foram apresentados hoje durante o 3º Seminário da Indústria Brasileira da Construção.
Promovido pela Comissão da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o evento contou com a participação de mais de 450 empresários ligados aos mais diversos segmentos do setor. A proposta dos empresários é transformar o problema do déficit habitacional - hoje estimado em 5,5 milhões de moradias - e a deficiência na infraestrutura numa solução para combater o desemprego.
"O investimento na produção de habitação e infraestrutura é capaz de promover a criação de novos empregos, mas, hoje, o mais urgente é evitar que as demissões no setor aumentem", afirma o vice-presidente da Fiesp e coordenador da CIC, José Carlos de Oliveira Lima.
Ele explica que até agora o setor vem perdendo mão-de-obra menos qualificada, que é a dos canteiros, mas vai começar a demitir pessoal qualificado, que trabalha nas indústrias do segmento. "Isso é terrível, porque a indústria perde competitividade quando dispensa pessoas bem preparadas", ressalta.
Durante o evento, foi apresentado um grande estudo, elaborado pela Trevisan Consultores, que dimensiona toda a cadeia produtiva da indústria da construção, o chamado Construbusiness. O levantamento mostra que o setor representa 14 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (R$ 128 bilhões) e emprega 3,5 milhões de trabalhadores diretos e 13,5 milhões quando somados os indiretos e induzidos.
"Trata-se de um setor muito importante para a virada do País, principalmente para a solução do desemprego, e por isso precisa ser estimulado", afirma o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.

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