Construção de túnel para ligar bairros do Rio divide moradores
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 02 (AE) - O projeto de construção de um túnel - de aproximadamente dois quilomêtros e meio - previsto para ligar os sofisticados bairros do Leblon, São Conrado e Barra da Tijuca, ambos na zona sul do Rio, está dividindo os moradores das três áreas e provocando uma polêmica entre associações de bairros e a prefeitura, responsável pela obra. O projeto está orçado em R$ 64 milhões, sendo que cerca de R$ 4 milhões seriam gastos em desocupações. Presidentes das associações de bairros do Leblon e da Barra, acusam o prefeito Luiz Paulo Conde de fazer um projeto eleitoreiro. "É uma obra incoerente, porque o túnel aumentará o engarrafamento nos três bairros além do já existente", disse o presidente da Associação de Moradores do Leblon, João Fontes. A briga promete aumentar com aproximidade da audiência pública marcada pela prefeitura, prevista para o próximo dia 09 em um colégio de São Conrado. "O prefeito não está preocupado com a cidade, mas em fazer campanha política inaugurando obras", criticou Fontes, referindo-se às eleições municipais de outubro do ano que vem.
Fontes e o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrovski, estão preparando uma grande passeata de protesto na Praia do Leblon, com participação de moradores, estudantes e comerciantes para o próximo domingo. "Vamos fazer o enterro simbólico do projeto", adiantou Fontes. Desde o início da semana, Dumbrovski iniciou a coleta de assinaturas nos condomínios da Barra para entregar ao prefeito. Fontes e Dumbrovski também disseram que estão preocupados com os efeitos sonoros - o excesso de buzinas e freadas - além da poluição. "O impacto ambiental poderá ser irreversível", alegou Fontes.
Já o vice-presidente da Associação e Amigos de São Conrado (Amasco), Jayme Drumond, é a favor da obra e tentará defendê-la tecnicamente com o apoio de oito engenheiros convidados para participar da audiência pública. "O túnel não vai causar impacto ambiental nem congestionamentos", argumenta Drumond. "Ao contrário, a obra vai reduzir o tempo gasto entre São Conrado e o centro do Rio". Câmara - A polêmica chegou esta semana à Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal. Para o presidente da comissão, vereador (PCdoB), Fernando Gusmão, a prefeitura deveria buscar uma parceria com o governo estadual para viabilizar ramais do Mêtro - em Ipanema, São Conrado e Barra da Tijuca. "Seria uma obra econômica para o município, não prejudicaria o meio-ambiente e geraria empregos", disse.
O secretário especial de Transporte do município, Márcio Queiroz, porém, afirma que obras relativas ao Mêtro são assuntos do Estado enquanto questões de trânsito são tratadas pela prefeitura. "Fizemos estudos e constatamos que o túnel seria a melhor opção", disse Queiroz. Ele acrescentou que laudo realizado pela Fundação de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) indicou que a obra não provocará efeito ambiental.


