São Sebastião, SP, 08 (AE) - A possibilidade de se construir arranha-céus em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, gerou uma grande polêmica na cidade, que acabou extrapolando as fronteiras e virando assunto estadual. A repercussão do movimento popular para preservar a estância turística livre dos prédios de apartamentos foi tamanha, que o secretário de Meio Ambiente do Estado, Ricardo Tripoli, veio conferir a situação de perto. Ele se reuniu hoje com o prefeito de São Sebastião, João Siqueira (PSB), para obter mais esclarecimentos e dar sua posição sobre o assunto. "Sou totalmente contra a verticalização", comentou.
Mas o tema ainda vai gerar muito discussão. A questão dos prédios será definida no próximo ano, com a elaboração da lei de parcelamento e uso do solo. Os legisladores municipais estão longe de ter uma unanimidade sobre o assunto. Nem mesmo os vereadores do partido do prefeito seguem o discurso do Executivo. "Podíamos ter aqui um meio termo, sem uma verticalização desordenada", afirma o vereador Gilmar Pinheiro (PSB). As discussões tiveram início com a análise do Plano Diretor do município pela Câmara, há alguns meses. O estudo que norteia o crescimento local será votado até 3 de novembro.
Mesmo antes de surgir qualquer emenda tratando das construções verticais, uma avassaladora campanha contra os arranha-céus tomou conta das ruas de São Sebastião. O movimento, que já ganhou espaço na Internet, vem sendo conduzido por organizações não governamentais (ONGs), ambientalistas e sociedades de amigos de bairro. O prefeito manteve no Plano Diretor as atuais leis que estabelecem uma altura máxima de 9 metros para as construções. As legislações neste sentido são recentes, pois foram elaboradas em 1994, para a costa norte do município, e em 1995, para a porção sul. Justificativas - As justificativas para excluir as grandes estruturas verticais do perfil urbano de São Sebastião vão desde a manutenção da qualidade de vida até as precárias condições sanitárias disponíveis no lugar. "Não há possibilidade de mudar num futuro próximo, pela consciência de preservação que as pessoas estão demonstrando", afirma confiante o prefeito. Manifestos - O grito geral contra a verticalização chegou até a prefeitura de diversas formas. Desde cartas, manifestos pessoais e abaixo assinados. Siqueira chegou a receber mensagens de Porto Alegre e do Chile, todas pedindo para evitar de qualquer maneira os edifícios verticais na malha urbana. Para um dos líderes das ações pró-verticalização, o vereador Heriberto Queiroz (PMDB), a polêmica criada tem desviado a atenção de outros aspectos importantes do Plano Diretor que precisam ser igualmente discutidos.
Ele também acredita que a radicalização neste assunto venha afastar investimentos interessantes. O presidente da Fundação Linha Verde, André Luis de Macedo, posicionou-se totalmente contra os grandes prédios em São Sebastião e tem procurado conquistar novos adeptos à causa entre os comerciantes.

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