Construção de Museu Olímpico no Leblon gera polêmica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Rodrigo Mattos, especial para a AE 
Rio, 06 (AE) - O projeto de construção do Museu Olímpico no Jardim de Alah, Leblon, zona sul do Rio, está provocando um mal-estar entre a prefeitura e a Associação de Moradores e Amigos do Leblon (Ama-Leblon). O prefeito do Rio, Luís Paulo Conde, cedeu uma área de 6.498 metros quadrados no local para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) visando a construção do museu. O presidente da associação, João Fontes, reclama que os moradores não foram consultados sobre o assunto e disse que pode entrar na Justiça caso o projeto tenha continuidade. "Está implícito na lei orgânica que o prefeito deve nos ouvir", afirmou.
O subprefeito da zona sul, Ricardo Rotemberg, garantiu que o motivo para os moradores não terem sido comunicados sobre a implantação do museu foi a rapidez do processo de cessão do terreno. "A prefeitura se preocupa com a opinião e vamos conversar com os moradores" disse Rotemberg, que vai discutir o problema quinta-feira em uma reunião com Fontes. "Nessa ocasião
espero marcar um encontro da associação com o COB para que sejam apresentadas soluções", afirmou.
Segundo Fontes, a polêmica não será resolvida tão facilmente, pois a associação não modificará a sua posição. Para ele, o Leblon já tem muitos prédios construídos e o Jardim de Alah é uma "área de escape". "Nós queremos a revitalização desse espaço para que possamos voltar a frequentá-lo", disse. Fontes prometeu realizar um manifestação de protesto contra a construção do museu, caso sua posição não seja respeitada.
Nem todos os moradores do Leblon, porém, têm a mesma posição. O vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro de São Sebastião, Leandro Alves, afirmou que os moradores do local, que fica em frente ao Jardim de Alah, são favoráveis à presença do museu. "Estamos pedindo inclusive a construção de uma Vila Olímpica", explicou. "O Jardim de Alah está abandonado e com esse projeto até a segurança do local melhorará". O presidente do COB, Carlos Nuzman, estava viajando hoje e não foi encontrado para falar sobre a construção do Museu Olímpico.


