São Paulo, 10 (AE) - Está em estudo a construção de estacionamentos no planalto e na Baixada Santista para evitar que caminhões saturem o Sistema Anchieta-Imigrantes com viagens desnecessárias ao Porto de Santos. Em época de safra, o movimento entre a capital e o litoral é de 3,5 mil carretas diárias. "Há a proposta de abrir um pátio, no entroncamento do sistema com o futuro Rodoanel, antes da descida da serra", disse o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Wagner Rossi. Por meio de um esquema de comunicação especial, o caminhão só seria liberado para pegar a estrada quando o navio estivesse atracado. "Hoje, os veículos descem a serra independentemente disso, sobrecarregando as rodovias, além de ficar parados dias na região portuária, atravancando até o fluxo em Santos".
Os planos estão sendo desenvolvidos em conjunto pela Secretaria Estadual dos Transportes, por intermédio da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), e pela Codesp. "Estamos investigando dez áreas na Baixada Santista para a construção dos estacionamentos", disse o diretor de Planejamento da Dersa, Milton Xavier. "Eles seriam feitos e administrados pela iniciativa privada". Túnel - O Ministério dos Transportes autorizou a retomada do estudo da construção de um túnel de 2 quilômetros extensão entre Santos e Guarujá. "O traçado vai ser simplificado para reduzir custos", disse o presidente da Codesp. O maior interesse do túnel seria turístico, mas, segundo Rossi, haveria grandes benefícios para o transporte de carga. "Hoje, se um caminhão está numa margem do porto e precisa descarregar na outra margem, o motorista é obrigado a percorrer 70 quilômetros de estrada, pela Piaçaguera-Guarujá". Ferrovia - Ainda este ano, devem deixar de trafegar 500 carretas por dia na Anchieta-Imigrantes, com a melhoria na ligação entre ferrovias e a malha interna do porto. Hoje, os trens levam 4,5% do total dessas cargas e as rodovias, 85%. O resto vai por dutos. A participação das ferrovias deve subir para 10% em um ano. O objetivo é tirar mil caminhões/dia das estradas.
O porto tem 200 km de malha interna de trilhos, sucateados, operada pela Codesp, com R$ 18 milhões anuais de déficit. Os vagões chegam a ficar até quatro dias parados à espera de que as obsoletas locomotivas da Codesp transportem as cargas até os navios. Há uma proposta para que essa malha seja assumida pelas ferrovias privatizadas, que fazem o transporte do interior e de outros Estados até a boca dessa rede. "Com isso, os vagões passariam a ser liberados em 24 horas", acredita Rossi.