Construção civil quer manter recursos de poupança para habitação
Brasília, 09 (AE) - O setor de construção civil quer manter obrigatória a aplicação dos recursos captados na caderneta de poupança nos financiamentos habitacionais. Em encontro com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, hoje, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Luís Roberto Ponte, disse que "é inaceitável" acabar com esta vinculação. Uma proposta que, segundo ele, está sendo avaliada pelo grupo formado por técnicos do governo que estuda a desregulamentação do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Segundo Ponte, seria "um escárnio um banco captar recursos de poupança a juros tabelados e poder aplicá-los livremente". Ou seja, destinar o dinheiro da caderneta para empréstimos e financiamentos e cobrar juros altos nestas operações. O presidente da CBIC disse que não se pode aceitar que isso ocorra e, ainda mais, com o subsídio do governo. Ele lembrou que este subsídio existiria porque a caderneta de poupança não sofre tributação do Imposto de Renda. Ponte garantiu que, neste aspecto, Fraga concordou integralmente com ele. "Ele disse que é a favor de não permitir que os bancos apliquem este dinheiro com juros livres", relatou.
Do encontro, Ponte assegurou que também saiu com a promessa do presidente do Banco Central de convidá-lo para participar das discussões que o grupo técnico do governo vem tendo. "Eles querem ouvir entidades do setor", afirmou. No início do SFH, segundo o presidente da CBIC, os bancos eram obrigados a destinar 100% dos recursos captados na caderneta de poupança aos financiamentos habitacionais. Hoje, no entanto, a parcela obrigatória é de 60% da captação. Ponte é a favor que este percentual volte a ser elevado. "Habitação e juros altos não combinam", afirmou explicando que não há como financiar o setor habitacional cobrando juros altos. "Aumentaria a inadimplência e o número de imóveis devolvidos", argumentou.
Reforma tributária - Na audiência com o presidente do BC
Ponte também apresentou a sua proposta para a reforma tributária. Segundo ele, além de simplificar a cobrança de impostos, a sua proposta também inibe a sonegação. Para o setor exportador, por exemplo, não há qualquer cobrança de imposto, assegurou Ponte. A proposta foi apresentada à Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara dos Deputados quando o presidente da CBIC era deputado pelo PMDB do Rio Grande do Sul.
A idéia principal do presidente da CBIC para a reforma tributária é baseada na cobrança de um só tributo, o Imposto sobre Movimentações Financeiras (IMF) que teria uma alíquota bastante alta para eliminar a cobrança de outros impostos. Ponte está seguro que, a partir desta cobrança, haverá uma redução da sonegação no País ao mesmo tempo em que será facilitada a cobrança por parte do governo.





