São Paulo, 09 (AE) - O Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon/SP) promoveu hoje uma reunião com seus associados na sede da entidade para apresentar um panorama da atual conjuntura econômica e discutir sobre os aumentos de preços que estão sendo feitos pelos fornecedores.
Segundo o vice-presidente da entidade, Eduardo Zaidan, o País trabalha hoje com vários cenários econômicos para este ano, desde a versão do governo federal, que aponta para uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% a 3%, até uma perspectiva mais pessimista, com previsão de PIB negativo entre 5% e 7%.
Em qualquer dos cenários traçados, a previsão é de que o setor de construção civil apresente uma redução entre 5% e 10% do PIB este ano, segundo Zaidan.
Para a reunião, informou Zaidan, o sindicato da construção civil formulou uma agenda de pontos que podem ser modificados para diminuir os efeitos da recessão que se anúncia no setor.
Segundo o vice-presidente do Sinduscon/SP, uma das propostas da entidade é combater os desperdícios da cadeia produtiva. "Será um esforço macroeconômico, envolvendo questões que vão além da redução de custos nos canteiros de obras", explica Zaidan. Ele disse ainda que o setor de construção civil terá de conseguir encontrar soluções para produzir mais obras com menos dinheiro.
Legislação trabalhista - Entre as propostas para a redução dos custos está a que se refere à legislação trabalhista. De acordo com Zaidan, o Sindiscon/SP pretende discutir com os sindicatos de trabalhadores da construção civil alternativas para reduzir os custos da empresas com mão-de-obra e, ao mesmo tempo, criar novos empregos. "Temos de buscar soluções, assim como outros setores têm feito", disse Zaidan.
Outro ponto que foi abordado no encontro entre os associados do Sinduscon foi a questão tributária. "Temos uma estrutura tributária burra, que trabalha contra a produção", critica Zaidan.
Segundo ele, a entidade sabe que o País passa por uma crise fiscal e, por isso, não quer deixar de pagar impostos, mas sim racionalizar esses tributos para melhorar a situação no curto prazo. Ele cita, como exemplo os impostos sobre o faturamento e as transações financeiras "que têm efeito cascata".
O vice-presidente do Sinduscon-SP disse que essa reunião e outras que vêm ocorrendo nas demais entidades, que estão ligadas ao setor da construção, têm o objetivo claro de exigir do governo federal uma ação contra esse quadro recessivo, com custos sociais "elevadíssimos". "Precisamos mostrar para o governo que assim como estão as coisas não dá", disse o vice-presidente do Sinduscon/SP.

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