São Paulo, 02 (AE) - O setor de construção civil já despediu mais de 42 mil trabalhadores este ano, no Estado de São Paulo, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP). A expectativa dos empresários é de que esse número chegue a 100 mil, nos próximos 60 dias, caso o nível de investimentos públicos e privados não aumente.
"No ano passado, a maior parte das demissões no setor estava relacionada à construção pesada", afirma o coordenador da Comissão da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Carlos de Oliveira Lima. Neste trimestre, mostram dados do Sinduscon-SP, os segmentos que sofreram o maior impacto da crise foram os de construção industrial e comercial, com queda de 12,3% no nível de emprego, e o de obras públicas, menos 12%. Apesar da redução da taxas de juros e da melhoria das expectativas em relação ao desempenho da economia, os empresários acreditam em retração do nível de emprego, já que não houve retomada dos investimentos.
A criação de uma política de investimentos em infra-estrutura urbana e habitação popular é, na opinião deles, a melhor maneira para evitar que o desemprego no setor continue crescendo. "O Brasil tem um déficit habitacional calculado em 5 5 milhões de moradias, por isso os investimentos nessa área podem melhorar o desempenho do setor", afirma Lima.
"Não nos interessam os incentivos fiscais, mas a aplicação de recursos na construção civil como um todo." Lima diz que, depois de várias reuniões em Brasília, a comissão conseguiu, no fim de março, que fosse constituído um grupo de trabalho interministerial para debater a criação de uma política de investimento no segmento da construção civil. Participam do grupo representantes do Ministério da Fazenda, Secretaria de Política Urbana, BNDES, Banco do Brasil, Ministério do Trabalho e Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio.
Na quinta-feira o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou um programa habitacional que prevê o investimento de R$ 3 bilhões no setor e pretende abrir 280 mil postos de trabalho. Os empresários consideram positiva a iniciativa do governo, mas dizem que "não é suficiente para fazer o País retomar o crescimento e acabar com a crise social do desemprego".
As medidas anunciadas deverão conter as demissões no setor, disse Lima. Mas alerta que o governo precisa ter atenção com outros setores carentes de investimentos, como o de infra-estrutura.
A cadeia produtiva da construção civil, que inclui desde a extração de calcário para a produção de cimento até os serviços de manutenção de um edifício, responde por 3,5 milhões de empregos diretos. Somando os indiretos e os induzidos - o vendedor de cachorro quente que trabalha na frente da obra -, o setor soma 13,5 milhões trabalhadores. A cadeia produtiva da construção responde por 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

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