Construção civil paga reajuste salarial maior que a inflação
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 02 (AE) - A maioria dos trabalhadores da construção conseguiu, neste semestre, reajuste salarial médio acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), contrariando a rotina que vinha sendo observada nas negociações salariais desde a criação do Plano Real. Pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reunindo 38 acordos que apresentaram apenas um percentual para todas as categorias salariais, demonstra que em 63% dos casos o aumento foi superior à variação anual acumulada da inflação.
Apenas 26% tiveram reajuste abaixo da inflação e 11% foram concedidos em proporções iguais às da variação de preços. O maior reajuste chegou a 161,3% do INPC, mas houve também casos em que os aumentos foram de apenas metade da inflação. O analista Marcos Medeiros, do Departamento de Relações de Trabalho da CNI, acredita que três fatores contribuíram para a concessão de aumentos significativos na maioria dos casos: a retomada da atividade do setor de construção; a base baixa dos salários da indústria da construção, e o fato de a comparação ser feita com o INPC, que mede a inflação para o consumidor. Esses índices vêm registrando variação mais branda que a dos preços no atacado, que sofreram com maior intensidade o aumento do dólar.
Medeiros considera, também, encerrada a fase de mudança nas negociações entre patrões e empregados na qual as exigências sociais e de adicionais aos salários superaram as reivindicação por reajuste de salário. Durante os três primeiros anos de estabilização monetária, foi essa a principal mudança estrutural nas relações trabalhistas. Agora, as cláusulas salariais voltam a ter um papel de destaque nos acordos. "A retomada do reajuste de salários voltou principalmente nos setores de ponta, já a partir do fim do ano passado", constata.
"A fixação de uma meta de inflação de 8% para este ano ainda despertou no assalariado o indicativo de indexação." O setor de construção prevê para este semestre uma recuperação da capacidade de investimentos e retomada nas vendas, depois de um ano e meio de desaquecimento. Mas os reflexos disso na criação de empregos não serão imediatos. Dados do Sindicato da Indústria de Construção de São Paulo mostram que no primeiro semestre deste ano 32,4 mil trabalhadores foram demitidos. As estatísticas da Associação Paulista de Obras Públicas indicam, porém, que em maio e junho o setor voltou a contratar, após mais de um ano de demissões. No Rio, a Associação de Empreiteiros do Estado não tem ainda dados animadores: em julho, a quantidade de obras públicas correspondia a apenas 10% do registrado em igual período do ano passado.
A CNI, que até o ano passado pesquisava as negociações salariais na indústria de uma maneira geral, agora passará a fazer o levantamento por setor. "Estávamos tendo distorções, ao analisar o bloco inteiro", diz Medeiros.


