Construção civil avança na periferia
Marcos Zanatta
De Maringá
A campanha realizada durante um mês pelas entidades do setor de construção civil de Maringá chamou a atenção para o volume de obras que ocupam espaços em toda a periferia da cidade. A média histórica de área construída, de 600 mil metros quadrados por ano, se mantém desde o início da década, mas mudou de perfil. O número é expressivo, mas chama a atenção apenas das pessoas que percorrem a periferia. São novos loteamentos, bairros inteiros se formando em poucos anos e muitas construções de casas. Cada bairro surge com uma característica diferente.
Nas áreas mais nobres, que normalmente ficam entre bairros já valorizados, a tendência são de casas de padrão médio para cima, passando por sobrados e algumas mansões. Mas a periferia, onde os terrenos têm um custo mais baixo e existem facilidades e condições de pagamento, as obras também não param.
O perfil da construção mudou nos últimos anos em Maringá, afirma o engenheiro Adolfo Cochia Júnior, presidente do Sindicato da Construção Civil do Noroeste (Sinduscon-Nor). Ele diz que a chamada auto-construção, com unidades de até 70 metros quadrados, representam hoje cerca de 60% das obras em andamento na cidade.
O dirigente considera ainda que a média histórica de área construída é referente aos últimos 10 anos e está de longe acima de outros números registrados anteriormente. O que acontece, explica, é que as pessoas estão buscando a oportunidade de se livrar do aluguel. Ou quem pode, fazendo uma casa ao gosto da família.
Cochia diz que a redução de obras centrais, principalmente de prédios residenciais que foram o filão da virada da década, causava a impressão que o setor estava desaquecido. Ele lembra ainda que a média de construção hoje em Maringá, representa investimentos de R$ 240 milhões. Se o setor tivesse mais apoio teríamos mais obras, acredita.
O que impulsiona o crescimento de Maringá, na opinião dos dirigentes do setor, é a qualidade de vida que a cidade oferece. Maringá tem índices de países desenvolvidos, explica Cochia. A cidade tem 100% da população servida com água tratada, energia e coleta de lixo, quase 80% com esgoto, um telefone para cada 2,5 habitantes e um veículo para cada 2,6 morador. O volume de obras e a atração de investimentos acabam valorizando os imóveis.
O mestre de obras Agostinho Nogueira, há 20 anos na profissão, decidiu trocar Goioerê por Maringá há dois anos e diz que não se arrepende. Ele não revela quanto constrói por ano, mas garante que está até construindo por conta para revender depois de pronto. Vale a pena, resume. Desde que chegou na cidade, Nogueira está construindo sobrados no Jardim Novo Horizonte, sempre trabalhando com uma média de oito a 10 ajudantes. Trouxe até um cunhado meu de Londrina que não encontrava emprego de pedreiro lá, conta.
Como profissional que está trabalhando direto com as famílias que constroem, Nogueira confirma a tendência da auto-construção. Ele diz que todos os clientes são famílias que procuram um imóvel com maior área construída e pouco quintal. É por isso que existem muitos sobrados, explica. O mestre de obras confirma também que os vazios urbanos estão se fechando na cidade. Não encontramos mais terrenos para comprar por aqui, e os que há estão valorizados.





