São Paulo, 20 (AE) - Um consórcio formado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) administrará o projeto de transposição do Rio São Francisco, orçado em R$ 3 bilhões. A informação é do secretário nacional de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Rômulo de Macedo.
A transposição do São Francisco, combatida pelos governadores e parlamentares dos Estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, temerosos de serem prejudicados por uma redução da vazão do rio, deverá dispor, nesse ano, de R$ 40 milhões no Orçamento da União para o início das obras. O rio é a base de muitas atividades econômicas nesses Estados, sustentando desde projetos de irrigação até o turismo. O ministério está intensificando os contatos com os políticos nordestinos para derrubar a resistência e tentar elevar, no Congresso Nacional, para R$ 100 milhões o volume de recursos para o projeto.
A meta é fazer com que o projeto, com término previsto para 2025, já esteja operando parcialmente em dois anos. "Prevemos para 2002 um rompimento do equilíbrio entre a oferta e a demanda de água, com um aumento do déficit hídrico, nos Estados que serão atendidos pela transposição ", diz Macedo.
Os estudos de impacto ambiental e de viabilidade econômica, encomendados às empresas de consultoria Jaako Poyry e Engecorp, estarão concluídos em março. Mas o ministério já acena aos opositores da transposição com uma versão bastante remodelada, em relação a desenhos anteriores, em que fica evidente a preocupação de não absorver grandes volumes.
O projeto prevê uma transposição máxima de 127 metros cúbicos por segundo, vazão menor que a prevista em versões concebidas pelo governo federal - o projeto elaborado em 1985 pelo então ministro do Interior, Mário Andreazza, previa uma vazão de 300 metros cúbicos por segundo. "Além disso, os governadores deverão fazer os pedidos das quantidades de água e dos períodos em que deverá ocorrer o bombeamento de água", diz Macedo. Ele acrescenta que o bombeamento deverá ter um custo, conforme a legislação sobre o uso das águas. "A intermitência deverá resultar em uma transposição média de 50 metros cúbicos por segundo, o correspondente a cerca de 3% da vazão do rio na barragem de Sobradinho." Essa quantidade seria suficiente para irrigar uma área de 250 mil hectares.
A transposição envolverá três bombeamentos de água, em Pernambuco, para que as águas sejam elevadas a uma altura de 170 metros até a fronteira com a Paraíba. A partir daí, se deslocariam acompanhando a inclinação natural do terreno.
O projeto não implicará desvios do leito do rio. Para o transporte da água, deverão ser construídos dois eixos de canais. O eixo norte, com vazão máxima de 99 metros cúbicos por segundo, partiria da região de Cabrobó (PE) em direção a Jati (CE), alimentando, no caminho, o açude Entremontes e o Rio Brígida. De Jati, o canal seguiria até a Paraíba, com um ramal servindo ao Rio Salgado, no Ceará. Na Paraíba, um ramal se estenderia até o Açude Engenheiro ávidos e o Rio do Peixe (que por sua vez, alimenta o Açude Coremas/Mãe dágua, Rio Piranhas e Açude Armando Ribeiro Gonçalves). O eixo principal estenderia-se até a fronteira com o Ceará, de onde outra extensão seguirá até o Rio Salgado, no Ceará, para abastecer o Rio Jaguaribe, o Açude Orós e o Açude Castanhão. O eixo principal terminaria no Açude Pau de Ferros, no Rio Grande do Norte, que é ligado ao Açude Santa Cruz e ao Rio Apodi.
O eixo leste, com vazão máxima de 28 metros cúbicos por segundo, partiria do reservatório da usina hidrelétrica de Itaparica, em Pernambuco, com um ramal alimentando o açude Poço da Cruz e o Rio Moxotó. O eixo principal terminaria em Monteiro, na Paraíba, onde se interligaria, por meio de riachos, aos açudes Somé, Boqueirão e Acauã e ao Rio Paraíba.

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