Porto Alegre, 26 (AE) - A Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB), um consórcio formado por empresas comercializadoras, produtoras e transportadoras de gás natural, pretende colocar em operação no prazo de dois anos um gasoduto de 615 quilômetros entre Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, e Porto Alegre.
A tubulação terá capacidade para fornecer até 12 milhões de metros cúbicos por dia do combustível, direcionados preferencialmente para geração de energia em usinas termoelétricas. A estimativa de consumo inicial, porém, é de pouco menos de 5 milhões de metros cúbicos diários.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da TSB
Valter Guimarães, o gasoduto deve operar a plena capacidade a partir de 2005. O diretor Armando Enriques calcula que o retorno financeiro do investimento, que totaliza US$ 265 milhões, será obtido num prazo de sete a oito anos a partir do início da comercialização, em meados de 2001. A TSB foi constituída oficialmente hoje em Porto Alegre.
O consórcio venderá o combustível exclusivamente para a Sulgás, estatal gaúcha que detém o monopólio da distribuição do produto. Conforme Guimarães, o preço será "competitivo" com o gás que será trazido pelo gasoduto Bolívia-Brasil com a tarifa de US$ 2.63 por milhão de BTU.
Participam da TGB, no grupo das empresas comercializadoras, a Ipiranga, com 23% das cotas, e a Gaspetro, com 10%. A YPF argentina e a francesa Total Global Gas Venture, produtoras, têm 15,5% cada uma. As transportadoras Techint e Compañia General de Combustibles, argentinas, e a canadense Nova Gas International participam com 12% cada.
Do investimento total, 30% serão integralizados em recursos próprios pelos sócios na proporção de sua participação. Os 70% restantes serão pleiteados junto a organismos financeiros nacionais e internacionais, mas os integrantes do consórcio garantem os aportes se for necessário.
A Sulgás será responsável pela construção dos city-gates (portões) para entrega do gás aos consumidores finais. De acordo com o diretor-presidente Giles Azevedo, a tabela de preços da estatal ainda não foi definida, mas terá que ser homologada pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado (Agergs).
Conforme Guimarães, os clientes preferenciais do gás transportado pela TSB serão as usinas termoelétricas, que deverão ficar com 7 milhões dos 12 milhões de metros cúbicos diários consumidos a partir de 2005. Esse volume seria suficiente para a geração de 1,5 mil MW de energia a um custo de US$ 30.00 por MW, disse o presidente.
Na solenidade de hoje, a Ipiranga e a Techint também formalizaram sua adesão ao consórcio já formado pela Gaspetro, Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Sulgás e Asea Brown Boveri para a construção de uma usina térmica na região metropolitana de Porto Alegre. A planta vai exigir um investimento de US$ 300 milhões para produzir 500 MW com um consumo de 2,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
De acordo com o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Gaspetro, Antônio Cajueiro Costa, a intenção é implantar a termoelétrica juntamente com o gasoduto, mas o prazo pode se estender até cerca de 2003, disse o diretor geral da Techint, Fredy Cameo. A unidade poderá ser construída junto ao Pólo Petroquímico de Triunfo, que consome 200 MW de energia, onde fica também a sede da Copesul, central de matérias-primas que hoje assinou contrato para aquisição direta de 250 mil metros cúbicos por dia da Sulgás.
A Rio Grande Energia (RGE), que distribui eletricidade nas regiões norte e nordeste do estado também tem interesse em comprar energia da nova usina, adiantou o diretor da empresa, Eduardo Camargo. Além disso, o gás trazido pela TSB vai abastecer ainda a usina termoelétrica em construção pela AES-Sul no município de Uruguaiana e que vai chegar a uma potência total de 600 MW.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da TSB
o novo gasoduto vai atuar complementarmente ao Bolívia-Brasil, que deve começar a disponibilizar gás para o Rio Grande do Sul até o final do ano que vem. Esta tubulação, entretanto, entrará pelo norte do estado e vai operar com volumes menores, de pouco mais de 1 milhão de metros cúbicos diários inicialmente.
O gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre vai trazer combustível extraído na bacia de Neuquén, no sudoeste da Argentina. De lá o gás é levado para a cidade de Aldeia Brasileira, a 1,7 mil quilômetros, pela Transportadora Gas del Norte (TGN).
Em seguida, até a fronteira com o Brasil, na divisa entre Paso de Los Libres e Uruguaiana, são mais 450 quilômetros de tubos que começarão a ser colocados no mês que vem pela Transportadora de Gas del Mercosur (TGM), informou o diretor da Techint, que faz parte das duas transportadoras argentinas, Fredy Cameo.

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