Consórcio teme impacto das usinas hidrelétricas
O Consórcio Intermunicipal para Preservação do Remanescente do Rio Paraná (Coripa) cobra a realização de estudos sobre o impacto das usinas hidrelétricas sobre a fauna do rio e o controle dos reservatórios durante a piracema de forma a não prejudicar a reprodução dos peixes. O consórcio, que reúne cinco municípios do Noroeste banhados pelo Rio Paraná também quer estudos sobre a capacidade de pesca do rio para orientar ações de controle da atividade.
Segundo o diretor do Coripa, Ricardo Witzel, na época das cheias as hidrelétricas fecham as comportas para aumentar a reserva de água nos lagos. Com isso, o nível do rio, à jusante das usinas, fica abaixo do ideal para a piracema. As cheias do rio coincidem com a piracema. Quando o nível do rio sobe, enche lagoas e banhados nas várzeas e ilhas, locais onde os peixes se alojam para se reproduzir. Com o rio baixo, os pontos de procriação e o acesso dos peixes a eles ficam limitados, diminuindo a procriação, observa Witzel.
Para o Coripa, as usinas localizadas acima do Arquipélago de Ilha Grande uma das reservas ecológicas mais importantes do planeta deveriam observar o impacto que causam e administrar a vazão dos lagos levando em conta a necessidade de preservação da fauna do rio.
A região do Arquipélago de Ilha Grande é o último trecho livre do Rio Paraná que já foi o paraíso da pesca profissional ou amadora. Há 15 anos, era fácil pescar jaús, pintados e dourados com mais de 30 quilos. Hoje, a pesca está escassa e cada vez mais controlada.
O conjunto de quase 300 ilhas ao longo de 150 quilômetros do Paranazão virou parque nacional. Também foram criadas áreas de proteção ambiental em outros trechos da reserva, administrados pelo Ibama e o Coripa. O consórcio reúne os municípios de Guaíra, Altônia, São Jorge do Patrocínio, Vila Alta e Icaraíma.
A Associação de Defesa do Meio Ambiente de Umuarama (Adema) também está preocupada com a possibilidade de construção de usinas hidrelétricas nos Rios Ivaí e Piquirí, principais afluentes do Paraná. A organização solicitou informações ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e à Copel sobre a existência de projetos para o Ivaí e Piquiri, mas ainda não recebeu resposta. (Vânia Moreira, de Umuarama)





