Consórcio liderado pela Iberdrola pode ser o único a disputar a Celpe
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 16 (AE) - A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) deve ser vendida amanhã cedo para o consórcio formado pela Iberdrola, da Espanha, com a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, e a BB Investimentos. A construtora Andrade Gutierrez informou, no início da noite, que ainda negociava a formação de um grupo para disputar a distribuidora. Mas o parceiro mais provável da construtora mineira, a Utilicorp, dos Estados Unidos, anunciou que não iria participar do leilão de privatização, marcado para as 10 horas, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ).
A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, também negociava com a companhia norte-americana, e informou que somente na noite de hoje confirmaria se participava ou não da disputa. Mas os observadores do mercado que acompanhavam o processo consideravam mais provável que o consórcio liderado pela Iberdrola dispute sozinho o leilão, e compre a Celpe pelo preço mínimo de R$ 1,87 bilhão. Neste caso, o grupo, que já controla as distribuidoras do Rio Grande do Norte (Cosern) e da Bahia (Coelba) vai dominar o mercado de distribuição de energia do Nordeste.
"A Iberdrola é favorita", avaliou o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e diretor do Banco Liberal, José Pio Borges. O prazo de depósito de garantia dos interessados em disputar o leilão, que terminava às 18 horas, foi prorrogado por mais uma hora, no fim da tarde. A medida foi determinada pela Companhia de Liquidação e Custódia (CLC), que recebe a garantia.
Justiça - No final da tarde de hoje, a 15ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro indeferiu o pedido de liminar suspendendo o leilão, encaminhado pelo Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco. Na ação, os sindicalistas argumentavam com falhas jurídicas encontradas no processo de privatização e questionavam aspectos como o preço mínimo fixado em R$ 1,78 milhão, considerado inferior ao valor real da companhia. Eles também pediam a liquidação imediata de um débito da estatal para com a Fundação Celpos - o fundo de aposentadoria dos funcionários -, no valor de R$ 86 milhões.
De manhã, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Pernambuco havia julgado favoravelmente o processo de privatização e o preço mínimo. Pelos cálculos do TCE de Pernambuco, o preço justo poderia ser fixado a partir de R$ 1 690 bilhões. O conselheiro que relatou o processo no TCE, Marcos Nóbrega, informou que o dinheiro da privatização deve ser usado pelo governo de Pernambuco para investimentos em obras, e não para abatimento de dívidas.


