Consórcio começa a reestruturar fábrica de barrilha da Alcanorte
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segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Juliano de Souza(especial para AE) 
Natal, 20 (AE) - As empresas norteamericanas Peak Investiments, US Salt Corporation e Florida Power and Light, integrantes do consórcio interessado em assumir o controle acionário da Companhia Alcalis do Rio Grande do Norte (Alcanorte), iniciou o processo de reestruturação da fábrica de barrilha, situada em Macau.
Especializada no ramo químico, a empresa holandesa Akzo foi contratada pelas três companhias para desenvolver a parte técnica do projeto. "A Peak e suas sócias querem ver a fábrica funcionando em janeiro do ano 2000", assegura Airton Paulo Torres, secretário extraordinário do governo estadual para o projeto Polo Gas-Sal, do qual a Alcanorte representa o pontapé inicial.
Torres adianta que falta apenas a escolha da consultoria financeira para a elaboração da estrutura final da companhia, que teve suas obras interrompidas em 1986, quando ainda pertencia ao estado. O secretário diz que 95% da estrutura física da Alcanorte já etá pronta. "O que necessita de mais investimentos é o setor de automação", constata Torres, que gerenciou a fábrica no início desta década.
Estão previstos, na retomada das obras da unidade, investimentos da ordem de R$ 140 milhões. Se forem realmente iniciadas em janeiro do próximo ano, as obras irão possibilitar a inauguração da fábrica ainda no primeiro semestre de 2001, gerando 380 empregos diretos e outros 1.500 indiretos. "A empresa poderá produzir 265 mil toneladas de barrilha, o que significa mais de um terço da demanda nacional", diz Torres.
Na quinta-feira (22), o presidente do Banco do Nordeste, Bayron Queiroz, e o governador Garibaldi Alves Filho (PMDB) assinam o protocolo de adesão do banco ao processo de negociação da Alcanorte. Na prática, a dívida do grupo Fragoso Pires, que detém o controle acionário da empresa desde 1992, contraída junto ao Banco do Nordeste em ações preferenciais, será transformada em ações preferenciais. O mesmo caminho foi seguido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que firmou pacto com o estado em 29 de junho.
Torres aponta o empresário Michael Voyce, presidente da Peak, como o principal articulador da retomada da "Operação Alcanorte". Voyce, no passado, foi membro da American Natural Soda Ash Corporation (ANSAC), cartel formado por seis empresas que dominam o mercado da barrilha no mundo.
A barrilha produzida no Brasil - cerca de 550 mil toneladas/ano - é consumida pela indústria de vidro, detergentes e química.


