Lisboa, 30 (AE) - A Bento Pedroso Construções, a empresa do grupo Odebrecht em Portugal, faz parte do consórcio vencedor da auto-estrada que vai ligar Guimarães e Braga a Póvoa do Varzim, num total de 176 quilômetros. A assinatura do contrato será no dia 7 de julho e tem o valor de cerca de 19 milhões de dólares.
O consórcio vencedor é formado por sete empresas e deverá financiar a obra - com direito à exploração do pedágio por 30 anos. A líder do consórcio é a empresa portuguesa Mota e Cia, com 18,55% do total.
Do total, 20 quilômetros já se encontram construídos. Para o restante, falta a elaboração dos projetos de construção, a elaboração do estudo de impacto ambiental e o fechamento do financiamento".
"A expectativa é que já haja novos trechos abertos ao tráfego no final do segundo semestre do ano 2000, mas devemos antecipar este prazo para o primeiro semestre", afirma Ênio Silva, administrador da Bento Pedroso.
A construção da auto-estrada é o primeiro passo para reverter uma diminuição no ritmo das obras públicas ocorrido em Portugal desde o ano passado. Para o Bento Pedroso, em 1998 o menor número de projetos foi responsável por uma queda de 10% do faturamento em relação ao ano de 1997.
Em 1997, o faturamento da empresa foi de 175,7 milhões de dólares, enquanto em 1988 foi de 157,2 milhões.Nos lucros, também foi registrada uma queda: de 3,8 milhões de dólares em 1997, passou para 2,1 milhões em 1998. Em 1998, a empresa portuguesa foi responsável por cerca de 6% do faturamento na área de engenharia e construção do grupo Odebrecht.
Para o presidente da Bento Pedroso, Henrique Valladares, a queda nos negócios era esperada. "Em 1999 será igual ou pior do que 1998. Foi o final de um ciclo de construções em Portugal, com o fim do segundo Quadro Comunitário de Apoio e a indefinição a respeito do terceiro, que começa no próximo ano", afirmou, referindo-se às verbas que vem para Portugal no âmbito dos programas da União Européia.
Neste momento, a Bento Pedroso executa 8 contratos, mas a previsão é de crescimento no próximo período. "Acreditamos que o setor como um todo vai crescer no ano 2000. Nesse ano pretendemos aumentar 25% no faturamento e 25% nos lucros", diz Valladares.
Até o final do próximo ano, serão lançados mais 7 concursos de construção de auto-estradas, nos quais a Bento Pedroso pretende ficar com 30% do total. "Serão investimentos de 6,5 bilhões de dólares na ampliação da rede". Os concursos serão para concessões, pagas através de pedágios, e para o que o governo português designou como "pedágios virtuais" - o governo paga à empresa pelo número de automóveis que passam, contados eletronicamente.
Prevendo os anos de menor faturamento, a Bento Pedroso reduziu sua estrutura. Neste momento, a empresa tem 572 trabalhadores, dos quais apenas 32 vieram do Brasil. "Mais de 88% são portugueses e já admitimos mais de 40 recém-formados de universidades portuguesas a partir de programas de cooperação", diz Valladares. A empresa conta com programas de cooperação com as Universidade de Coimbra, do Porto e com o Instituto Superior Técnico, de Lisboa.
Apesar de a Bento Pedroso estar em sétimo no ranking português, Valladares considera que a empresa encontra-se entre as duas primeiras, se for levado em conta apenas as atividades na área de construção de obras públicas. "Há empresas que diversificaram e têm imobiliárias, revendas de carros e inclusive uma que possui uma pastelaria em Angola".
O presidente da Bento Pedroso Construções, Henrique Valladares, afirmou que a União Européia tem mais barreiras que os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos na área da construção de obras públicas. Segundo ele, é mais difícil uma empresa brasileira ganhar uma concorrência na Europa do que uma empresa européia conseguir um contrato no Brasil.
Segundo Valladares, a ausência de barreiras está ligada aos financiamentos das obras. "Nos países do terceiro mundo, os grandes investimentos em infra-estruturas contam com recursos de instituições multilaterais, como o Banco Mundial ou o BID e por isso têm de fazer concorrências abertas a nível internacional", afirma.
Sem depender de financiamentos externos, na União Européia, os concursos são fechados. "Em Portugal, as obras em infra-estruturas são feitas com recursos da União Européia e nos concursos só podem participar empresas sediadas em países da comunidade".
Foi para participar no mercado de obras públicas português que a Odebrecht comprou há dez anos a empresa portuguesa Bento Pedroso. Em países como o Peru ou o Equador, o grupo atua apenas com uma sucursal.
Segundo Valladares, o mercado mais aberto em que a Odebrecht atua é o dos Estados Unidos. "Lá podem participar todas as empresas."

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