São Paulo, 09 (AE) - Duas das mais maiores organizações não-governamentais (ONGs) atuantes na defesa da Mata Atlântica, a Conservation International (CI) e a Fundação SOS Mata Atlântica, decidiram unir forças para tornar as ações mais eficientes. O acordo entre as duas instituições, denominado Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, foi assinado hoje em São Paulo. Ele prevê o desenvolvimento de uma série de projetos específicos, tais como a produção, a organização e a disseminação de informações sobre a região, com o objetivo de protegê-la.
A aliança foi inspirada na proposta de uma rede de ONGs de reduzir a zero o desmatamento e a perda de biodiversidade. A Mata Atlântica, que teve destruídos 92% da área original de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, ainda é apontada como um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. O ritmo de devastação, segundo informações das ONGs e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), tem sido de um campo de futebol a cada quatro minutos - ou 390 campos por dia.
Hoje, ao anunciar a formação da aliança, o empresário Roberto Klabin, presidente da SOS Mata Atlântica, disse que se trata de um modelo inédito de parceria para a preservação ambiental. Também explicou que o acordo durará cinco anos, durante os quais as duas instituições atuarão sem perder as identidades.
Klabin afirmou que a aliança permitirá uma maior captação de recursos junto a empresas, órgãos do governo e agências internacionais para o desenvolvimento de projetos. Previu que os investimentos atuais, em torno de US$ 1 milhão por entidade, irão triplicar em três anos.
"Nossas chances de salvar a região, um dos ecossistemas mais ricos do planeta, ficaram melhores." Na opinião do presidente da CI, o primatologista Russel Mittermeier, o acordo firmado hoje poderá ter repercussão internacional. "Acredito que vamos servir de modelo para outras parcerias, em todo o mundo, em favor de ecossistemas de grande diversidade que se encontram ameaçados." A entidade presidida por Mittermeier atua em 27 países, movimenta cerca de US$ 35 milhões por ano e tem como principal missão conservar a biodiversidade. Começou a atuar no Brasil em 1990 e, embora esteja presente em diversas áreas, escolheu como um dos alvos principais a Mata Atlântica - especialmente a parte dela que se localiza em Minas Gerais e na Bahia. Trata-se de uma organização que procura quase sempre trabalhar em parceria com outras instituições. Um exemplo disso é o projeto na zona tampão da Reserva Biológica de Una, desenvolvido com o Instituto de Estudos Sócioambientais do Sul da Bahia (Iseb). Em Minas Gerais, a ONG associou-se à Fundação Biodiversitas no projeto da Estação Ecológica de Caratinga.
A SOS Mata Atlântica, criada em 1988, é uma das maiores ONGs ambientalistas do País. Tem cerca de 26 mil associados, os quais, segundo Klabin, são verdadeiros agentes de defesa da mata.
A atuação dela está concentrada principalmente em São Paulo, Leste do Paraná e Sul do Rio. Um dos principais projetos que desenvolve, desde 1989, em conjunto com o Inpe, é o "Atlas da Evolução da Mata Atlântica" - um detalhado estudo feito a partir de fotos obtidas por satélite, que permite acompanhar todas as transformações ocorridas na região.
Com a aliança formalizada hoje, as duas ONGs irão desenvolver seis projetos específicos: referência e monitoramento, com informações sobre a cobertura vegetal e a biodiversidade da área; comunicação e educação ambiental - voltadoprincipalmente para as escolas; conservação de áreas protegidas públicas e privadas; conservação de espécies; políticas públicas, e opções econômicas para a conservação da mata.

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