BLACKPOOL, Inglaterra, 04 (AE-AP) - O turbulento Partido Conservador da Grã-Bretanha, de oposição, lançou hoje (04) o que classificou de uma revolução do senso comum num reelaborado documento político que oponentes traduziram como extremismo de direita.
"Aprendemos as lições de nossa derrota da última vez e escutamos o povo britânico", disse o líder conservador, William Hague, na abertura da conferência anual do partido, de quatro dias, nesta estação turística no norte da Inglaterra.
"Precisamos de um governo que ajude as pessoas a ajudarem a elas mesmas, que ofereça políticas radicalmente duras de lei e ordem... e que acredite neste país e em sua independência", acrescentou.
O esboço inclui o fortalecimento da polícia e do exército, uma campanha para tornar mais fácil a não adesão a regulamentações da União Européia, a repressão a fraudadores do bem-estar social, e corte de benefícios àqueles que recusem uma única oferta de trabalho.
"Isso não é uma revolução do senso comum... Trata-se de uma revolução direitista", disse Alan Milburn, secretário do Tesouro do governo trabalhista do primeiro-ministro Tony Blair.
O centrista Partido Liberal Democrático chamou o documento de "idéias extremas de um partido extremista".
Entretanto, muito do documento soa similar às políticas dos trabalhistas, que puseram fim a uma geração de poder dos conservadores em eleições de maio de 1997 com uma plataforma que ocupa o congestionado centro da política britânica.
Os conservadores continuam profundamente impopulares no meio do mandato de cinco anos do governo - um momento no qual partidos de oposição tradicionalmente estão bem à frente nas pesquisas.
Uma sondagem do Gallup publicada nesta segunda-feira mostra que os conservadores têm 29% de apoio - 23 pontos atrás dos trabalhistas, e dois pontos abaixo da votação do próprio Partido Conservador em 1997.

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