São Paulo, 10 (AE) - A mudança das empresas responsáveis pela manutenção da rede de iluminação pública em São Paulo, iniciada há 11 dias pela Prefeitura, começou a trazer aborrecimentos para a população. Segundo informações do Departamento de Iluminação Pública (Ilume), da Secretaria de Vias Públicas, o novo telefone para reclamações está congestionado e o número de pedidos de serviços, alto. Além disso, há atraso no cronograma de serviços.
Desde 1.º de março, o trabalho de manutenção das 527 mil luminárias públicas paulistanas deixou de ser feito pela Eletropaulo e ficou a cargo de seis empresas contratadas após licitação.
Privatizada, a Eletropaulo, que desde 1966 prestava esse serviço, não poderia mais atuar sem passar pela concorrência pública. A empresa não participou da licitação, alegando falta de interesse econômico e risco de ter sua imagem arranhada, já que não teria controle sobre a cidade inteira.
A cidade foi dividida geograficamente em seis áreas e cada empresa só tem autorização para operar em uma dessas regiões.
Transição - A Ilume justifica os atrasos no trabalho de manutenção da rede alegando que recebeu um número excessivo de pendências da Eletropaulo, no dia 29 de fevereiro, quando houve a transferência dos serviços. Outro problema apontado pela Ilume foi a divulgação exagerada do novo telefone para recebimento de reclamações. Segundo o órgão, isso fez com que muito mais pessoas passassem a ligar, até mesmo quem não tem problemas com iluminação pública.
Desde o dia 1.º já foram registradas mais de 11 mil reclamações e emitidas 7.415 ordens de serviço. Desse total, cerca de 4 mil eram pedidos repetidos. Até quarta-feira, só 1.700 casos haviam sido resolvidos.
A Assessoria de Imprensa da Eletropaulo nega que a empresa tenha repassado um número anormal de pendências e informa que o volume diário de pedidos sempre esteve entre 800 e 1.000 telefonemas por dia, a mesma que a Ilume recebe agora.
Na época em que o serviço era prestado pela Eletropaulo, a empresa mantinha uma central de atendimento telefônico com 134 ramais, que recebiam reclamações de todos os serviços prestados pela empresa. Hoje, para receber queixas sobre iluminação pública, a Ilume mantém uma central com oito ramais. O diretor do órgão, Joaquim Boaventura, admite que o número possa estar subestimado.
Apagão - A professora aposentada Ruth Casaroli é uma das pessoas que se sentem prejudicadas pela demora no serviço de manutenção da iluminação pública. Segundo ela, a Rua Dias Velho, na Freguesia do à, está há mais de uma semana sem luz e até agora não houve nenhum tipo de ação para resolver o problema. Sérgio Paulo Casaroli, filho de Ruth, protocolou essa reclamação pelo telefone 0800-151212 do Ilume no dia 3.
Um trecho entre as Avenidas 23 de Maio e Pedro álvares Cabral, do Detran à Assembléia Legislativa, está há vários dias sem luz. Uma equipe do Ilume descobriu hoje que o problema foi causado pelo rompimento de um cabo, por causa das obras do Cebolinha. Boaventura garantiu que até domingo as equipes terão sanado parte do defeito. Ele prometeu que em 90 dias todos os serviços do órgão estarão mais ágeis.

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