Conserto de emissário pode ter novo atraso
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 03 (AE) - Superado o momento mais crítico do conserto do emissário submarino de Ipanema - o içamento dos dois tubos durante o fim de semana -, a obra corre o risco de atrasar novamente por causa de um centímetro. Esta é a distância entre os dois tubos. "Os técnicos da Petrobrás vão ter que empurrar um dos tubos para que eles se alinhem", explicou o presidente da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), Axel Grael.
O encaixe dos tubos está previsto para as 20 horas de hoje. Depois de alinhados, eles serão cobertos por uma junta de concreto armado de 20 toneladas. Se a operação não puder ser feita hoje voltarão a jorrar três toneladas de esgoto por segundo, durante nove horas, a 900 metros da praia de Ipanema. "Não perdi a esperança de tirar a sunga da gaveta e mergulhar no Posto 9 neste fim de semana", brincou o secretário Estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, referindo-se a seu trecho preferido de Ipanema.
Balanço - Até o fim da semana a Feema vai divulgar o balanço da poluição nas praias. Copacabana, Leme e parte de Ipanema devem ser as primeiras liberadas ao banho. O fim das obras do emissário não garante praias limpas no Rio. Leblon e São Conrado, que historicamente sofrem com a poluição, vão permanecer impróprias. Essas praias foram as mais afetadas pela dispersão do esgoto no mar.
"O que polui São Conrado é o esgoto que desce da Rocinha: há pelo menos quatro línguas negras na praia", informa o diretor do departamento de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, David Zee. No Leblon os fatores de poluição apontados pelo oceanógrafo são os canais do Jardim de Alah e da Rua Visconde de Albuquerque, que lançam detritos ao mar.
De acordo com o presidente da Feema, Axel Grael, a praia de São Conrado vai ser prioridade do Estado, assim que se terminarem as obras no emissário. "Vamos ativar o dispositivo que canaliza o esgoto da Rocinha para o emissário", afirmou. Isso só não está ocorrendo porque, junto com a água, desce do morro enorme quantidade de lixo, que entope o sistema. A Feema estuda um mecanismo de limpeza de detritos ou manter um funcionário no local para resolver o problema. "Infelizmente, a solução para o Leblon é mais complicada e mais cara", disse Grael.


