A vergonha de procurar tratamento médico no início de uma DST pode fazer com que a doença atinja estágios mais avançados, com consequências graves. Mas, a maioria das DST, quando diagnosticadas precocemente, tem cura.
O urologista Roberto Matsumoto explica que uma gonorréia que não foi tratada, por exemplo, pode causar infertilidade, tanto no homem, quanto na mulher. Já a sífilis, pode ''enganar'' o doente com o desaparecimento dos sintomas, depois de duas a três semanas. O que não significa que houve cura, mas que a doença vai reaparecer sob forma mais intensa. ''A sífilis até hoje tem incidência alta, apesar de ser de fácil tratamento'', alerta.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a incidência de sífilis entre gestantes é de 1,7%. O que parece pouco, mas representa cerca de 60 mil gestantes infectadas por ano. A estimativa é que ocorram cerca de 18 mil casos de infecção congênita, o que pode causar morte fetal ou neonatal, e sequelas como surdez, cegueira, retardo mental e deformidades físicas.
Para as mulheres, o exame preventivo anual é um grande aliado na prevenção e diagnóstico de DSTs. Principalmente no caso do HPV, que pode atingir o cólo do útero e não é visível. Segundo dados do Ministério da Saúde, a evidência é que mais de 50% dos adultos sexualmente ativos já tenham sido infectados por um ou mais tipos de HPV, mas de 30 a 50% dos casos regridem espontaneamente. Alguns subtipos virais do HPV estão diretamente ligados ao desenvolvimento de câncer de colo do útero, que, no Brasil, é a quarta causa de óbito por câncer na população feminina.
Para que o tratamento seja efetivo, explica o médico, é necessário que seja feito até o final, mesmo que os sinais da doença desapareçam antes. Os medicamentos também devem ser tomados na quantidade e horários corretos indicados pelo médico, e é necessário que o parceiro sexual também passe por tratamento, para evitar reinfecções.
Esse último item, explica a enfermeira Rosângela Alvanhan, esbarra em limitações de comportamento, já que nem sempre a pessoa tem um único parceiro sexual e muitas vezes não pode ou não quer revelar isso. ''Há muita subjetividade quando se fala em relações sexuais'', observa. (C.P.)

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