O consentimento é a psicopatologia de contato mais grave e é detectada tanto nas situações mais comuns (o indivíduo que não chama a polícia ao ver a casa do vizinho ser assaltada) como nas mais extremas (casos de abusos múltiplos de crianças com idades entre seis e 11 anos).
O abuso sexual é o principal, mas também são praticados o físico e o psicológico. Casos de abuso físico chegam constantemente aos hospitais. São crianças que sem motivos aparentes apresentam queimaduras, mordidas e fraturas. De acordo com o psicólogo, quando pressionadas, as mães confessam que provocaram o ferimento, mas não sabem explicar o motivo.
O abuso psicológico é cometido geralmente contra crianças não desejadas por famílias psicopatas. Apesar das consequências terríveis – nas mesmas proporções do abuso físico e sexual – esta é uma prática social. O exemplo clássico é o da mãe que diz aos filhos que só suportou seu casamento por causa deles.
A base desta doença é a própria história do adulto. ‘‘Abusados na infância serão abusadores impulsivos de seus filhos e de crianças próximas’’, diz Capelatto. A afetivadade nas famílias onde há abusadores é psicopática. ‘‘Quando o filho está próximo tem uma relação tão intensa que beira a morbidez. Longe, esquece que a criança existe.’’
Segundo Capelatto, o que provoca sequelas na criança não é o abuso em si, mas o consentimento. A criança sofre por saber que o adulto (pai, mãe, ou quem cuida dela) sabe o que está acontecendo e consente. Situação que gera uma doença chamada neurose da angústia, que são estados de interrupção de prazer por medo da perda.(E.P.)

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