A Universidade Estadual de Londrina (UEL) terá cotas para estudantes de escolas públicas e negros já a partir de seu próximo vestibular, que será realizado em janeiro de 2005. Das mais de 3 mil vagas em 59 cursos de graduação, 40% serão reservadas para pessoas que tenham estudado em instituições públicas da 5 série do ensino fundamental até a conclusão do ensino médio. Dessa porcentagem, metade será destinada para negros.
A implantação do sistema de cotas foi aprovada numa reunião de aproximadamente quatro horas do Conselho Universitário da UEL, ontem à tarde. As reservas serão aplicadas em todos os vestibulares que a universidade realizará pelo período de sete anos, a partir do início do ano que vem. Pessoas de qualquer idade cujo perfil se encaixe nas prerrogativas aprovadas ontem podem pleitear as cotas, desde que não tenham diploma de curso superior.
Para ingressar na UEL pelas reservas, os aprovados terão que apresentar documentação que comprove os anos de estudo em escola pública. Em relação à cota racial, os pretendentes deverão se declarar negros e suas matrículas só serão homologadas após verificação de uma comissão formada por servidores da universidade, representantes da comunidade externa e do Conselho da Comunidade Negra de Londrina.
De acordo com números apresentados pelo vice-reitor Eduardo Di Mauro, do total de estudantes que conseguiram ingressar na UEL este ano 42,54% são oriundos de escolas públicas e 13,16% são negros. Se as cotas aprovadas ontem estivessem em vigência no último vestibular, alunos que estudaram em instituições públicas seriam 51,41% dos graduandos no primeiro ano e negros, 20,73%.
A distorção fica nítida quando são constatadas as proporções nos cursos mais concorridos: segundo dados da Coordenadoria de Processo Seletivo (Cops), os estudantes que vieram de escolas públicas representam apenas pouco mais de 20% dos inscritos no último vestibular que conseguiram ingressar em cursos cuja concorrência passava dos 10 candidatos por vaga. Os negros e pardos não chegam a 10%.
Ao final da reunião de ontem, a reitora Lygia Pupatto se emocionou. ''Hoje (ontem) estou sentindo ainda mais orgulho de ser reitora desta universidade'', afirmou. ''O impacto social (do sistema de cotas) será incomensurável. Estamos dando a muitos pais e mães de famílias pobres um recado de que eles podem começar a sonhar, porque seus filhos terão mais chances de chegar ao ensino superior''. A UEL será a segunda universidade do Paraná a implementar o sistema de cotas para alunos de escolas públicas e negros. A primeira foi a Universidade Federal do Estado do Paraná (UFPR).
O diretor financeiro do Conselho da Comunidade Negra, José Mendes de Sousa, destacou: ''Os negros passarão a estar mais presentes nos meios formadores de opinião e isso ajudará a mudar o enfoque da questão racial em nossa sociedade.''

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