Conselho rejeita anulação de eleição
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terça-feira, 23 de junho de 2009
Folhapress 
São Paulo- O Conselho de Guardiães, órgão legislador responsável por ratificar o resultado da eleição presidencial, rejeitou novamente ontem o pedido da oposição para anular o pleito de 12 de junho passado que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O Conselho admitiu que houve irregularidades em ao menos 50 cidades, mas que não foi o suficiente para causar a anulação da votação.
Felizmente, durante a recente eleição presidencial, não constatamos nenhuma fraude ou grande infração. Por consequência, não há possibilidade de anulação das eleições, declarou o porta-voz do organismo, Abbas Ali Kadkhodaei, citado pelo canal por satélite em inglês Press TV, vinculado à televisão estatal iraniana.
Os três candidatos derrotados denunciaram 646 supostas irregularidades em favor do ultraconservador Ahmadinejad, e solicitaram a recontagem dos votos. O Conselho, sob ordens diretas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, concedeu a recontagem parcial dos votos, apenas das urnas com denúncias de
irregularidades.
O resultado da recontagem foi divulgado segunda-feira quando os Guardiães admitiram que em pelo menos 50 cidades do país houve mais votos que pessoas recenseadas -algo em torno de 3 milhões de votos irregulares.
No entanto, já advertiram que nem a apuração aleatória nem o fato de que haja mais votos variará substancialmente o resultado eleitoral, e que em nenhum momento cogitaram a repetição do pleito.
Se tivesse ocorrido uma grave ilegalidade nas eleições, o Conselho teria anulado os votos nas urnas, colégios, distritos ou cidades afetadas, como já fez em outras ocasiões em eleições parlamentares, disse Kadkhodaei.
Os resultados da eleição incitaram protestos em massa diários da oposição, a maioria apoiadores do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi. Os protestos e enfrentamentos com as forças de segurança deixaram ao menos 20 mortos, segundo números oficiais. Entre as vítimas está Neda, uma jovem cuja morte, com um tiro no peito, foi filmada por um outro manifestante e divulgada ao mundo como a mártir dos protestos em um país de grande censura.
Um dia após a Guarda Revolucionária ameaçar limpar o Irã dos manifestantes, as autoridades iranianas afirmaram que ensinarão uma lição aos perturbadores responsáveis pela mais grave crise política desde a Revolução Islâmica de 1979.


