Curitiba - O Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) lançou uma campanha estadual para esclarecer aos consumidores sobre o direito de exigir sempre a presença de um profissional farmacêutico dentro das farmácias e buscando a fidelização do consumo. De acordo com a diretora do conselho, Sônia Wagnitz Bertassoni, o paciente precisa aprender a ter contato com o mesmo farmacêutico da mesma forma que procura um médico, por exemplo. A medida, segundo ela, evita que o profissional desconheça o histórico médico do paciente e deixe de orientá-lo sobre as reações adversas e os melhores horários para a ingestão do remédio prescrito pelo médico.
''Sempre que estiver aberta, mesmo de madrugada, a farmácia precisa ter um profissional farmacêutico. Ele é obrigado a orientar o paciente. Chamamos o procedimento de acompanhamento farmaco-terapêutico. É ele, o farmacêutico, que vai falar sobre os problemas de usar o medicamento indicado pelo médico com outros que possam minimizar seus efeitos. Ele também fará toda a verificação sobre as possíveis reações que podem ocorrer para que o paciente não corra ao médico, sem necessidade, por causa da reação adversa do medicamento que será usado. Ou vá ao médico imediatamente, dependendo da reação adversa, para que o remédio recomendado seja alterado'', disse Sonia. A diretora do CRF-PR acredita que a fidelização do paciente ao mesmo farmacêutico é fundamental para que ele possa conhecer a histórica farmacológica e o tipo de medicamento que o consumidor tem consumido nos últimos meses.
Sonia lembrou que as reações adversas dos medicamentos vão de leves (que nem são notadas pelo paciente) até graves e que podem levar à morte. As intoxicações por medicamentos são a segunda causa de morte por intoxicações no Brasil (só perdendo para intoxicações por agrotóxicos). Os farmacêuticos não podem indicar remédios de uso controlado ou que necessitem de prescrição médica (todos com tarja vermelha ou preta). Os de uso livre podem ser indicados, desde que eles conheçam a história médica do paciente. O farmacêutico também deve perceber se o paciente não vai em busca de um medicamento de venda livre com o intuito de se auto-medicar. ''Dores de cabeça são comuns. Muitas vezes o paciente chega à farmácia pedindo um determinado analgésico. O farmacêutico precisa avaliar. Nem todos os pacientes podem tomar determinados analgésicos'', complementou.
Os farmacêuticos não podem fazer alterações na receita médica. Por exemplo, se o médico indica um remédio similar (que não passa por testes de bioequivalência), não se pode indicar um outro genérico para o seu lugar. Só pode ser indicado o genérico (e não similar) se o médico coloca o nome da formulação do medicamento na receita médica. Em casos do farmacêutico indicar o medicamento fracionado (venda de uma determinada quantidade do remédio), ele precisa tirar cópia da bula e colocar na etiqueta do produto vendido o nome do fabricante, o lote do medicamento e a data de validade.
Das 5,1 mil farmácias paranaenses, 95% já têm farmacêuticos responsáveis pelo estabelecimento comercial. Os consumidores que não encontrarem o profissional no estabelecimento de venda, têm que fazer a denúncia formal por e-mail, fax ou telefone. ''Fazemos mais de 3 mil fiscalizações mensais. Mas não damos conta de verificar todos. Temos farmácias hospitalares, laboratórios e farmácias de manipulação também para fiscalizar. As denúncias são importantes'', alertou. A campanha ''Conheça o medicamento que usa e converse com o farmacêutico'' já está em outdoors nas principais cidades do Paraná. Folders foram distribuídos na praça de pedágio da BR-277 em direção às praias do Paraná.
Os farmacêuticos também são orientados a dar palestras na comunidade e nos bairros, falando sobre os medicamentos e sobre a importância de fidelizar o atendimento ao consumidor. ''Somos os profissionais do medicamento. Temos que orientar para que ele não seja tomado de forma indevida. Remédio não é uma bala, é uma droga e pode levar à morte se não houver o cuidado necessário''.

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