Conselho quer descriminar aborto
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Agência Folha 
José Paulo Lacerda/Agência EstadoFHC recebe de Rosiska Darcy o texto pró-discriminação do abortoBRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu ontem do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, órgão ligado ao Ministério da Justiça, o documento Estratégias de Igualdade, que propõe a descriminação do aborto e a criminalização do assédio sexual. É um absoluto direito das mulheres pedirem isso (a descriminação do aborto), afirmou a primeira-dama, Ruth Cardoso. A Folha de S.Paulo apurou que ela é favorável a essa proposta. Ruth disse que o Congresso e a sociedade devem discutir a descriminação do aborto. O presidente afirmou que no Brasil de hoje existe um aumento da consciência a respeito da necessidade de mudanças de certas decisões, até mesmo legais.
Caberá a nós espraiarmos essas teses no governo e verificarmos o que pode ser feito e o que não pode ser feito, completou. FHC participou no Palácio do Planalto de uma solenidade pelo Dia Internacional da Mulher, que será comemorado hoje. O presidente afirmou que há setores fechados à participação da mulher. O número de mulheres na política é muito pequeno. Isso demonstra um conservantismo que não é mais compatível com a sociedade brasileira. A presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Rosiska Darcy de Oliveira, disse que a defesa da descriminação do aborto não é nova e pediu o debate da proposta no Congresso.
Isso está na plataforma de Pequim (em referência aos resultados da Conferência Mundial da Mulher, na China, em 1995). É a expressão da vontade da mulher brasileira, afirmou.


