Conselho proíbe medicamento à base de maconha
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Agência Estado Recife 
O Conselho Federal de Entorpecentes proibiu o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) de fabricar um medicamento à base de maconha. O produto seria usado para evitar náuseas e vômitos em pacientes de câncer que se submetem a quimioterapia e a estimular o apetite de portadores da Aids.
O presidente do Lafepe, Antonio Alves, frisou que o princípio ativo da maconha, Tetrahidro canabinol, já é comercializado nos Estados Unidos. Segundo ele, nada seria inventado - a fórmula já existe - e o laboratório teria estrutura até para armazenar o medicamento que seria chamado Dronabinol e apresentado em cápsulas gelatinosas.
A idéia do Lafepe era aproveitar a maconha que é apreendida ou incinerada pela Polícia Federal no sertão pernambucano e outras regiões do País. Não queremos estimular o cultivo da erva, ressalta. Com a matéria-prima gratuita, o medicamento seria vendido a um preço cerca de 60% mais barato aos similares existentes no mercado.
Poderíamos atender a população carente que não tem acesso aos medicamentos caros e também aos hospitais de câncer, afirma ele, ao lamentar a decisão do Conselho. Ele garante que a proposta era produzir o medicamento com rigor e controle, para que ele não fosse desviado para outros fins. Isso não seria problema, já que existem vários remédios controlados, observa.
O Lafepe produz 40 medicamentos e foi o primeiro laboratório oficial brasileiro a fabricar o AZT, vendendo a caixa do produto a R$ 97,00 contra os R$ 120,00 praticados pelo mercado. E foi o segundo laboratório no mundo a lançar o Ganciclovir, que evita cegueira em portadores de Aids. A negativa do Conselho Federal de Entorpecentes se baseou no fato de que a maconha é proibida no Brasil e na existência de medicamentos com a mesma finalidade proposta pelo Dronabinol.


