Rio, 01 (AE) - O Conselho Industrial do Mercosul (CIM) pediu hoje aos governos dos quatro países membros que incluam um capítulo sobre setores sensíveis - como frango, calçados, têxtil e siderúrgicos - às discussões em torno da política industrial na região. "É preciso buscar mecanismos que viabilizem os segmentos nos períodos de transição", afirmou Osvaldo Moreira Douat, representante do Brasil no CIM.
O pedido faz parte de um relatório a ser entregue nos próximos dias aos governos dos quatro países. Segundo o empresário, o trabalho do governo é evitar que problemas pontuais, como os que ocorreram entre o Brasil e Argentina no ano passado, atrapalhem o desenvolvimento do Mercosul.
Em 1999, conflitos entre os dois países acabaram no fórum de discussão da Organização Mundial de Comércio (OMC). Muitas questões, como a dos frangos, continuam prejudicando o relacionamento comercial entre os dois principais países do bloco e dificultando a discussão do Mercosul.
"Em alguns momentos é importante adotar regimes transitórios para resolver entraves comerciais", explicou Douat. "Mas somos contra subsídios ou medidas protecionistas, que vão contra a filosofia do bloco econômico." O argumento do empresário brasileiro encontra coro na Argentina.
Após a reunião do CIM, o representante argentino, Pablo Challu, propôs que o setor pressione o governo a lançar uma nova agenda para o bloco. "Temos muitos problemas setoriais e é necessário que os governos criem medidas para solucioná-los", afirmou.
Douat explicou que os entraves prejudicaram os negócios na região, que caiu de US$ 108 bilhões em 1998 para US$ 97 bilhões no ano passado. "O comércio cresceu dez vezes em cinco anos, mas retrocedeu 10% com a crise", afirmou o empresário. Segundo ele, essas questões precisam ser solucionadas para que o Mercosul não perca importância no cenário internacional.
O documento sugere também que os países acelerem as discussões de temas macroeconômicos, que servem de base para os negócios na região. Para Challu, a recuperação da economia brasileira vai ajudar a colocar um ponto final aos impasses comerciais. "O ano de 2000 será marcado por um grande esforço das empresas para fechar acordos", previu o representante argentino.