Salvador, 11 (AE) - O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciou hoje, em Porto Seguro (BA), que o governo federal pretende mobilizar sua bancada no Congresso para aprovar
ainda esta semana, o Estatuto dos Povos Indígenas. O texto estaria parado há seis anos no Legislativo por causa das pressões de grupos econômicos.
De acordo com o vice-presidente do Cimi, Saulo Feitosa, o governo quer aproveitar a desmobilização dos índios, preocupados com a conferência indígena e os atos relacionados aos 500 anos do Descobrimento, para apresentar uma emenda que privilegiaria os grandes grupos econômicos na exploração mineral em áreas das reservas indígenas.
"Nós sabemos que a intenção do governo é escancarar a exploração para empresas internacionais, sem qualquer garantia de proteção da integridade física dos índios e do meio ambiente, além de não esclarecer a participação das tribos sobre o lucro da atividade econômica em suas terras", disse Feitosa. Ele informou que o projeto original foi discutido e negociado exaustivamente com todas as entidades ligadas aos índios. "Agora querem mudar tudo aprovando, na surdina, um estatuto de fAchada, para português ver, que é um verdadeiro presente de grego para os índios."
O Cimi pretende protestar nesta quarta-feira (12) em Brasília.
Porto Seguro - O clima continua tenso em Porto Seguro, desde a semana passada, quando um monumento de protesto que estava sendo construído pelos pataxós em Coroa Vermelha foi destruído pela Polícia Militar. Mesmo com o pedido do Ministério da Justiça, os policiais não foram retirados da área de Coroa Vermelha.
Hoje os índios se reuniram para fazer uma proposta de acordo, que será intermediada por representantes da Procuradoria-Geral da República. Eles querem a retirada dos policiais, um pedido de desculpas formal do governo estadual, uma indenização de R$ 5 mil pelo monumento destruído e a autorização para levantar outro, na entrada de Coroa Vermelha.
Enquanto isso, os povos indígenas de todo o País continuam se mobilizando para a marcha em direção a Porto Seguro
onde acontece, entre os dias 18 e 22, uma conferência indígena com a participação de cerca de cinco mil pessoas. Eles vão cobrar do governo federal a demarcação de todas as terras indígenas no Brasil. Em Salvador, um grupo de índios da Bahia, Pernambuco e Alagoas fará protestos nos dias 16 e 17. Na oportunidade, será lançada uma campanha internacional para a regulamentação das terras da tribo pataxó hã-hã-hãe na região de Pau Brasil, sul da Bahia.

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