Curitiba- O governo do Estado determinou ontem a realização de estudo aprofundado para modificações no Conselho do Litoral. A intenção é evitar que apadrinhados políticos e empresariais influam nas decisões do conselho relacionadas à proteção ao meio ambiente. A decisão foi tomada na reunião semanal do secretariado, após denúncia da ambientalista Laura de Jesus Moura da Costa.
Segundo ela, muitas das ações de fiscalização e defesa da Mata Atlântica não eram realizadas por conta da influência de deputados estaduais e federais. ''Eles (os deputados) querem amaciar a lei para seus amigos. Mas eles não são eleitos para relaxar a lei. Eles são eleitos para cumprir a lei. O ambiente é importante para a vida futura. Não adianta termos leis, se o capital falar mais alto'', denunciou ela.
Laura apontou problemas nas políticas agroflorestais do Paraná. No Vale da Ribeira, por exemplo, as matas nativas estariam sendo substituídas por pinus. Isso estaria destruindo nascentes do Rio Ribeira, acabando com as áreas ciliares. Outro desafio na RMC, segundo a ambientalista, é a redução da mineração em áreas com reservas espeológicas (com grutas). Cerca de 40% das reservas atuais não estão sendo preservadas. ''A mineração nestes locais agride o ambiente, traz perda de solo, assoreamento e invasão da carga da mineração para os rios'', disse ela.
O governador Roberto Requião (PMDB) refutou a influência de políticos nos trabalhos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Entretanto, considerou que a corrupção interna dos fiscais é crescente. ''Não aceitamos pressão de forma alguma. Mas o problema da fiscalização existe e até hoje não foi sanado por conta da corrupção. Estamos adotando o tolerância zero contra os que depredam o ambiente'', afirmou Requião.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, disse que oito funcionários foram exonerados por comprovação de envolvimento com atos irregulares. ''Abrimos diversas diligências, inquéritos. Os processos são sigilosos e correm em investigação. Já prendemos fiscal em Guarapuava por corrupção. Vamos continuar agindo'', garantiu. Ele concorda que o problema da plantação de pinus no Vale da Ribeira é conhecido e disse que o IAP tem agido para reduzir o impacto na região e manter os remanescentes de Floresta Atlântica.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Neto, lembrou que no litoral o problema é mais grave pelos planos diretores. Em Matinhos, por exemplo, os vereadores teriam promulgado o plano diretor com 35 emendas que podem resultar em agressão ambiental.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) estuda formas de reverter os planos diretores na Justiça. De acordo com o procurador Sérgio Botto de Lacerda, uma Ação de Inconstitucionalidade (ADI) deverá ser encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar derrubar as emendas.

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