Brasília, 23 (AE) - O Conselho de Administração do Banco do Brasil reúne-se quinta-feira, extraordinariamente, para avaliar os empréstimos concedidos para a construtora Encol, que teve a falência decretada na semana passada. A reunião foi convocada pelo presidente do Conselho, Pedro Parente, a pedido do presidente do BB, Andrea Calabi, e do representante dos funcionários no Conselho, Fernando Amaral Baptista Filho. A reunião do Conselho de Administração poderá resultar em punição para alguns funcionários do BB, envolvidos nas operações com a Encol.
Segundo a assessoria de imprensa do BB, os conselheiros vão analisar o relatório da auditoria, instalada em setembro de 1997, com o objetivo de apurar eventual prejuízo para o banco nos sucessivos empréstimos à construtora, concedidos mesmo depois de a empresa já apresentar dificuldade de pagamento. A auditoria ouviu todos os 62 funcionários que participaram, de alguma forma, das operações com a Encol. Entre eles está o ex-presidente do fundo de pensão do BB (Previ), Jair Bilachi. Na época Bilachi era gerente da agência do Setor de Indústria e Abastecimento de Brasília (SIA) e depois superintendente do BB no Distrito Federal.
O relatório da auditoria já foi submetido à Comissão de Ética do Banco do Brasil, que analisa os fatos narrados e propõe as penalidades, se achar irregular a conduta dos funcionários. As penalidades administrativas previstas no estatuto do BB vão desde a advertência, perda do cargo comissionado até a demissão por justa causa. De acordo com a assessoria de imprensa do banco
o funcionário atingido por medida administrativa tem direito a recorrer. O BB pode ainda entrar na justiça contra o funcionário por gestão temerária ou fraudulenta.
O diretor de Crédito Geral do BB, Édson Ferreira, já declarou que o Banco do Brasil fará de tudo para recuperar a maior parte possível dos R$ 200 milhões que possui junto à Encol. A falência da Encol, de acordo com o diretor, não trará reflexos no resultado do banco, pois a dívida já tinha sido provisionada. Mesmo com o empenho dos advogados do BB, dificilmente o banco coneguirá reaver alguma coisa. O BB, assim como os demais credores com garantias reais, está em sexto lugar na lista de preferência, determinada em lei, para o ressarcimento. Além disso, do total de R$ 200 milhões, o banco do Brasil só possui garantias reais para R$ 174,5 milhões. Só os créditos com garantias serão analisados pelo síndico da massa falida da Encol.

mockup