São Paulo, 04 (AE) - O Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades) deve aprovar amanhã (05) o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) sobre a nova usina de tratamento de lixo hospitalar de São Paulo. A Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos de Saúde será na Avenida Gonçalo Madeira, no Jaguaré, zona oeste. O custo para a Prefeitura vai ser de R$ 717,00 por tonelada, cerca de R$ 2 milhões por mês. O método para a desinfecção dos resíduos será a vibração eletromagnética.
A usina substituirá o Incinerador Vergueiro, motivo de polêmica entre moradores e ambientalistas. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) chegou a multar várias vezes a Prefeitura no ano passado, por causa do excesso de lixo acumulado sem tratamento. Com a separação de lixo não hospitalar, o volume diminuiu para 90 toneladas, quantidade que será tratada na usina do Jaguaré.
O valor a ser pago pela Prefeitura à Companhia Auxiliar de Viação e Obras (Cavo), responsável pelo serviço, será quase duas vezes superior ao que o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) pretendia gastar no início doe 98 . A intenção era reduzir o volume diário para 50 toneladas, bem abaixo das 160 toneladas tratadas até o início do ano passado.
A desativação da usina na Rua Vergueiro não será imediata, segundo o diretor de Incineração e Transbordo do Limpurb, Gerson Brito. É que a Cavo tem prazo de 90 dias, a partir da inauguração da nova unidade, para colocá-la em pleno funcionamento. No mínimo até junho, portanto, parte do lixo continuará sendo incinerado.
Museu do lixo - Após o fechamento, o terreno onde está o incinerador poderá abrigar um Museu do Lixo. Essa é uma das hipóteses levantadas pelo Limpurb para o reaproveitamento do terreno da Prefeitura.
O único conselheiro do Cades a se posicionar contra a usina no Jaguaré é o professor Wagner Costa Ribeiro, representante da Universidade de São Paulo (USP). Ele é especialista em meio ambiente e política. Até as 19 horas ele não havia retornado as ligações da reportagem. Segundo outros conselheiros, ele teme que haja prejuízos ambientais no entorno da usina.
A hipótese é considerada improcedente pelo Limpurb. Segundo a bióloga Petra Sanchez Sanchez, da Universidade Mackenzie, que representa várias universidades no conselho, o sistema de tratamento eletromagnético já é utilizado nos Estados Unidos. "Não emite nada que possa prejudicar o meio ambiente", afirma.

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