Nações Unidas, 24 (AE-AP) - Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (24) a liberação de US$ 100 milhões em contratos de compras de bens e produtos por Bagdá, dentro do programa humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU), ao mesmo tempo em que apresentavam ao Conselho de Segurança uma resolução para duplicar a quantia de petróleo que o Iraque poderá colocar à venda.
As propostas apresentadas por Washington coincidem com a reunião de hoje do Conselho dedicada ao exame da situação humanitária do Iraque, em relação à qual a política de "linha dura" dos Estados Unidos vem sendo severamente criticada.
Ao abrir a reunião, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que o sofrimento dos iraquianos criou um sério dilema moral para a organização, "que sempre esteve ao lado dos fracos e vulneráveis, e agora está sendo acusada de causar sofrimento a toda uma população".
O embargo à venda de petróleo iraquiano foi imposto a Bagdá, junto de outras sanções, desde a invasão do Kuwait, em 1990, por ordem do presidente iraquiano Saddam Hussein.
Por iniciativa da ONU, foi criado em 1996 um programa de troca de petróleo por comida para aliviar a penúria dos iraquianos. Desde então, o Iraque já recebeu o equivalente a US$ 6 bilhões em bens, mas os Estados Unidos continuam segurando contratos da ordem de US$ 1 bilhão para reconstrução da indústria petrolífera e dos obsoletos sistemas de água e eletricidade.
Perante o Conselho, o embaixador holandês elogiou a vigilância exercida pelos EUA para impedir o rearmamento do Iraque, mas considerou "intolerável" o número de contratos que Washington está segurando. No que foi apoiado pela Rússia, aliada do Iraque no Conselho.
O embaixador russo Sergey Lavrov criticou ainda os bombardeios unilaterais dos EUA e do Reino Unido contra as zonas de exclusão aérea no norte e no sul do Iraque, por eles impostas, e considerou "inadmissível" que estes países peçam a cooperação do Iraque (no sentido de evitar aumento no preço internacional do petróleo), ao mesmo tempo que continuam bombardeando seu território.
O embaixador norte-americano justificou os ataques acusando Saddam Hussein como o único responsável pelo sofrimento imposto aos iraquianos.

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