Conselho de oposição recomenda partidos a denunciar FH por crise
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 07 (AE) - O Conselho Político da União do Povo Muda Brasil (PT-PDT-PC do B-PCB-PSB) decidiu hoje recomendar aos partidos de oposição que denunciem o presidente Fernando Henrique Cardoso como responsável pela crise política, econômica e social. "Não vamos fazer nenhuma ofensa pessoal ao presidente; vamos vincular as dificuldades econômicas e a tragédia social à figura do presidente para impedir que ele continue levando o País ao caos", disse o coordenador do conselho, o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT).
As decisões do conselho político, no entanto, não tem caráter deliberativo. Além de sugerir a responsabilização política de FHC como base das atividades dos partidos de oposição, o conselho definiu outras propostas que serão encaminhadas para debate na reunião dos partidos da frente de esquerda, que ocorrerá na sexta-feira (09), no Palácio dos Martírios, sede do governo alagoano, em Maceió.
As demais propostas são as seguintes: denúncias das atuações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de personalidades estrangeiras; reformas do Poder Judiciário e do sistema tributário; política de adoção de subsídio fiscal; financiamento para retomar a produtividade; geração de emprego; defesa do patrimônio público; atuação junto à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro; defesa de uma política nacional de ciência e tecnologia; apoio à reforma agrária, e reforma do sistema educacional.
Apesar de ser favorável à renúncia de Fernando Henrique, Genro deixou claro que essa não é a posição do conselho. Na opinião dele, a denúncia da responsabilidade de Fernando Henrique não deverá fortalecer a corrente oposicionista pró-renúncia. "O seu (de FHC) enfraquecimento vai permitir que ele estabeleça outro tipo de relacionamento com a sociedade." Genro admite que, sem esse diálogo, no entanto, FHC pode sofrer um desgaste que fortaleça os movimentos pró-renúncia. "As duas variáveis estão abertas; eu, pessoalmente, acho o movimento de renúncia positivo" disse Genro.
Sobre as CPIs dos Sistemas Judiciário e Financeiro, Genro defendeu apenas a segunda. "Defendemos a reforma do Poder Judiciário; entendemos que uma CPI do Judiciário é intimidatória", disse Genro. "Em relação à do Sistema Bancário
nós recomendamos aos partidos que influam para que venha a tona as grandes tramóias financeiras feitas pelos bancos nesse período."A reunião do conselho político durou cerca de quatro horas e foi a primeira de 1999. Participaram do encontro cerca de 20 representantes da sociedade e políticos, entre eles, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a economista e ex-deputada federal Maria da Conceição Tavares (PT-RJ), os jurista Celso Antônio Bandeira de Melo, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), o físico Luis Pinguelli Rosa e o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Estédile.


