Brasília, 24 (AE) - O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado deve reunir-se nesta semana para apreciar pedido do senador Jefferson Péres (PDT-AM) de enquadrar como falta de decoro parlamentar a troca de acusações entre o presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente nacional e líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA). A decisão pode sair amanhã (25), caso os membros do conselho voltem à capital federal. Se acatarem a recomendação de Péres, ACM e Jader poderão receber censura por escrito.
No final de março, os dois senadores confrontaram-se no plenário, trocando acusações de prática de crimes e irregularidades. Ambos entregaram à Mesa do Senado dossiês com um conjunto de matérias publicadas pela imprensa. O farto material foi enviado ao Ministério Público, para abertura de inquérito.
No Senado, entretanto, a expectativa é que nada aconteça aos dois senadores. A briga pessoal entre os dois políticos começou por causa da disputa entre os partidos aliados em torno do reajuste do salário mínimo. Jader Barbalho criticou ACM, lembrando que o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas - pefelista e afilhado político do senador baiano - havia afirmado que um mínimo maior que os R$ 151 fixados pelo governo causariam um rombo nas contas da Previdência. O presidente do Senado comentou, durante encontro com sindicalistas, que Jader deveria ser obrigado a passar um mês com um salário mínimo e que nunca trabalhou para ganhar dinheiro.
A conversa foi reproduzida pela imprensa e, assim, começou a briga. Jader respondeu que sempre trabalhou, mas nunca foi corretor da OAS, empreiteira controlada pelo genro de ACM. O embate mais duro, entretanto, deu-se se no plenário do Senado, quando os dois senadores se chamaram de "corrupto", "ladrão" e "mentiroso".

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