Conselho de ética adia decisão sobre confronto entre ACM e Jader
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 13 (AE)- Senadores do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado adiaram para a semana que vem o exame da sugestão do senador Jefferson Péres (PDT-AM) de enquadrar como falta de decoro parlamentar a troca de insultos, em plenário, entre o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA). Se a idéia for aceita, ACM e Barbalho serão repreendidos pelos colegas com uma censura escrita. Mas a possibilidade disso vir a ocorrer é considerada remota, já que o forte corporativismo existente na Casa deve impedir os parlamentares de agirem contra os colegas.
"O Senado tem 110 anos de história republicana e nunca foi punido um senador", lembrou Péres, ele próprio descrente de que a sua proposta venha a ser aceita. Foi ele o único integrante do conselho que tentou dar uma andamento ao caso. Foi apoiado apenas pela líder do bloco da oposição, Heloisa Helena (PT-AL) e pelo senador Amir Lando (PMDB-RO).
Os demais colegas permaneceram calados, o que dá bem uma noção do quadro em que a questão será discutida. O presidente do conselho, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), não quis tratar do assunto antes de receber as denúncias trocadas entre ACM e Barbalho e as notas taquigráficas com o pronunciamento de ambos em plenário.
Para Jefferson Péres, o conselho não tem porque esperar por nenhuma documentação para atuar, já que todos seus integrantes presenciaram os discursos. "Nós somos testemunhas"
afirmou. Ele destacou que estima os dois colegas, ACM e Barbalho, mas que não pode ignorar eventuais prejuízos causados por ambos à imagem da instituição.
O conselho também adiou para a semana que vem a decisão sobre duas representações apresentadas contra ACM. Relatadas pelo senador Osmar Dias (PMDB-PB), as ações foram apresentadas pelo deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) e pelo sargento aposentado Abílio Teixeira Filho.
Ramos pede ao conselho que investigue as denúncias feitas pela ex-primeira-dama de São Paulo Nicéa Pitta contra ACM
de que ele teria pressionado o prefeito Celso Pitta para receber dívidas atrasadas da construtora OAS, pertencente a seu genro César Mata Pires. Já Abílio, questiona o comportamento do senador contra o jornalista que publicou uma matéria que não lhe agradou numa revista.


