Conselho da UFPR aprova adesão do HC à Ebserh
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba O Conselho Universitário (Coun) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aprovou ontem, em Curitiba, com 31 votos a favor e nove contra, a adesão do Hospital de Clínicas (HC) e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) - empresa pública criada pelo governo federal para gerir hospitais universitários.
A reunião foi realizada no prédio da reitoria. Desde cedo, manifestantes contrários à proposta, entre estudantes e integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba (Sinditest) e representantes da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), impediam a entrada de parte dos 63 conselheiros que iriam participar da votação. Aqueles que não conseguiram entrar na reitoria tiveram que se deslocar de ônibus até o HC e participaram do pleito por videoconferência. Quarenta conselheiros votaram.
Logo após a pleito, por volta das 11 horas, parte dos manifestantes tentou invadir a reitoria, mas foi impedida por homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Federal (PF). Os policiais usaram spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio para conter o tumulto. Não houve registro de feridos. Um estudante foi detido e encaminhado para a PF. Segundo a assessoria do órgão, ele foi interrogado e deve responder por agressão, constrangimento ilegal, resistência à prisão e desacato. Até o fechamento da edição o jovem permanecia detido na PF.
"Infelizmente os adversários da proposta recorreram ao uso da força e desrespeitaram a Justiça e o Conselho Universitário. A violência e o quebra-quebra não foi uma agressão apenas à autonomia universitária e aos conselheiros, mas a todo o povo do Paraná, que precisa e quer que o HC continue atendendo a população 100% pelo SUS", alfinetou o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho.
A direção-geral do HC informou que a aprovação da proposta vai significar a contratação de 2.063 servidores por concurso público, ampliação do número de leitos de 250 para 670, retomada de serviços médicos que haviam sido suspensos (entre eles, os transplantes de coração e de rim) e o aumento do número de consultas de 3 mil para 8 mil, de cirurgias de 540 para 1,5 mil e de internamentos de 1,3 mil para 2,5 mil.
SINDICATO
A presidente do Sinditest, Carla Cobalchini, adiantou que o órgão vai ingressar hoje com um mandado de segurança na Justiça Federal questionando o resultado da votação do Coun, uma vez que parte dos conselheiros não votaram "presencialmente", mas por telefone ou videoconferência. O sindicato entende que a aprovação do contrato com a Ebserh representa a privatização do hospital e defende a realização de concurso público para repor o quadro de funcionários. "Vamos contestar o resultado da votação e aguardar a decisão da Justiça. Ocorreram exageros e uso de força policial em um ato democrático. Defendemos que antes de qualquer decisão deveria ser realizado um plebiscito que contasse com a participação efetiva de representantes de toda a sociedade", afirmou.
EBSERH
Criada no fim de 2011 pelo governo federal sob o estatuto de ser uma empresa pública de direito privado, a Ebserh tem como objetivo fazer a gestão dos hospitais ligados às universidades federais. A adesão do Hospital de Clínicas foi possível após dois anos de negociação. Em todo o País, dos 45 hospitais universitários, 43 aderiram à empresa.


