Conselho da Previ quer explicações sobre pagamento ao Opportunity
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por Gustavo Alves e Suzana Santos 
Rio, 09 (AE) - O Conselho Fiscal da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, pediu explicações ao presidente da entidade, Luiz Tarquínio Sardinha, há 15 dias, sobre pagamentos ao Banco Opportunity que haviam sido rejeitados pela diretoria. A informação foi dada pelo conselheiro Hamilton da Rosa Garcez. Ele informou que, por falta de resposta, hoje o conselho renovou o pedido.
Garcez afirmou que os esclarecimentos foram solicitados depois de o conselho tomar conhecimento do protesto contra o pagamento feito por carta pelo diretor de Planejamento da Previ, Arlindo Magno de Oliveira.
A carta foi divulgada nesta semana por uma revista semanal. Nela, Oliveira afirma que o fundo de pensão está pagando ao Opportunity - contra a decisão da diretoria - uma "taxa de administração" do fundo de investimentos formado com a participação das duas instituições para a compra de telefônicas vendidas no leilão da Telebrás.
O procurador da República Rogério Nascimento informou que o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) explicou, por conversa telefônica, como foi calculado o valor de R$ 7 milhões, estimado pelo diretor do fundo de pensão Arlindo Oliveira, que a Previ teria de pagar ao Opportunity. O banco, na nota em resposta à denúncia, divulgada ontem (08), havia informado que receberia apenas R$ 2 milhões.
Segundo Berzoini, o valor foi elaborado com base em 2% da projeção sobre a receita anual das três holdings telefônicas compradas pelo fundo administrado pelo Opportunity. Este cálculo baseou-se na participação acionária do fundo de pensão estatal em cada uma delas - Tele Centro Sul, Tele Norte Leste e Telemig Celular. A Previ também tem participação na Tele Norte Celular, mas a receita desta companhia não entrou nos cálculos feitos pelo deputado.
Para Nascimento, os cálculos do diretor da Previ são "factíveis". Berzoini informou que vai enviar ao procurador uma cópia dos documentos que serão apresentados na representação para investigar o assunto, no Ministério Público Federal de Brasília (DF). A representação também deve ser feita nesta semana.
O procurador da República do Rio afirmou que sua intenção não é investigar a administração da Previ, mas anexar indícios de pressão para o favorecimento a uma instituição financeira - no caso, o Opportunity - na formação dos consórcios que participaram da privatização da Telebrás.


