Conselho da Petrobrás vai reavaliar atividades de refino e transportes
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 23 (AE) - O novo Conselho de Administração da Petrobrás, que será eleito amanhã, irá reavaliar as atividades de refino e transporte desenvolvidas atualmente pela estatal para criar condições de competição no setor do petróleo. "A Petrobrás tem o domínio total destas duas áreas (refino e transporte) e talvez seja por aí que tem que se avaliar alguma coisa", afirmou hoje o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, indicado para presidência do Conselho.
Tourinho voltou a descartar a possibilidade de privatização da empresa. "A Petrobrás não vai ser privatizada e ponto", afirmou o ministro. Ele sugeriu que uma das alternativas a serem utilizadas para reduzir a participação da empresa em alguns setores pode ser a venda de ativos. O diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, já afirmou que uma das soluções para criar competição no setor de refino seria a venda de algumas refinarias da estatal.
"Esta é uma alternativa que foi colocada antes por David e vamos avaliar se é viável ou não", disse, referindo-se a Zylbersztajn. As novas diretrizes para determinados setores da empresa serão dadas pelos novos nove conselheiros, a serem eleitos amanhã. "Quero analisar com o conselho, e como presidente do Conselho tenho que ouvir muito e verificar quais são as melhores condições para a empresa", disse o ministro. "Ela pode ser gigante em outras áreas e isto vai ser objeto de análise do conselho", admitiu.
Além do refino e do transporte, o conselho poderá determinar alguma forma de redução do tamanho da BR Distribuidora. "Será que a participação que a Petrobrás tem na distribuição de derivados de petróleo é alta?", perguntou Tourinho. Conforme lembrou o ministro, a subsidiária tem hoje mais de um terço do mercado. Em fevereiro o próprio Tourinho creditou à empresa os aumentos exagerados nos preços da gasolina. "O conselho precisa verificar se é alto ou não (esta participação no mercado) e tomar as medidas necessárias", avisou.
O novo conselho de administração da Petrobrás terá apenas nove membros. O ministro confirmou hoje que a idéia de aumentar o número de conselheiros para onze foi afastada pelo governo. Assim, resta ser definido apenas o nome do representante dos empregados. Os critérios para escolha deste nome deverão ser definidos pelos demais oito membros.
Além de Tourinho, foram indicados para o Conselho o presidente do BNDES, José Pio Borges, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, o ex-ministro do Exército, Zenildo Lucena, a diretora-superintendente da Companhia Vale do Rio Doce, Maria Silvia Bastos Marques, e os economistas Jaime Rotstein e Gerald Reiss.
O ministro também afirmou que não será um problema para a gestão da estatal o fato de a maioria dos oito novos conselheiros já anunciados terem pouco conhecimento sobre o setor do petróleo. "O Conselho é um órgão que precisa ser composto por gente competente com experiência na área empresarial e de governo", afirmou o ministro. "O conselho é órgão pensante, representante do acionista majoritário e como tal vai estabelecer os objetivos estratégicos da empresa", explicou.
A escolha dos novos diretores da Petrobrás terá como parâmetro a experiência no setor. "Nós temos todos os técnicos necessários dentro da própria Petrobrás e vamos utilizar este pessoal na diretoria executiva", disse Tourinho. O nome dos diretores, porém, ainda não estaria decidido, segundo o ministro
e a decisão deverá ser referendada pelos conselheiros. "Depois de eleito o presidente, ele vai ter de cuidar até junto conosco de formar a diretoria", disse o ministro.


