Conselho da Eletrobrás muda para preparar privatização de elétricas
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Paul 
Brasília, 23 (AE) - O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, vai mudar e reduzir o Conselho de Administração da Eletrobrás, para preparar a privatização das empresas do setor elétrico. O ministro, que também será o presidente do conselho, anunciou hoje que esta é a primeira medida tomada por ele como condutor da desestatização do setor elétrico. "Este é um sinal de que o processo está andando", disse o ministro.
A idéia do ministro, que também preside o conselho de administração da Petrobras, é dar um novo papel ao Conselho de Administração da estatal, no qual os conselheiros terão autonomia em relação à diretoria executiva e passam a dar as diretrizes de ação da empresa. Hoje, os cinco membros da diretoria também participam do conselho de administração, que tem 12 membros.
"Vou mudar os membros do conselho", avisou Tourinho, que admitiu reduzir o número de conselheiros para nove. Segundo o ministro, além dele só estão certos no novo conselho o do atual presidente da estatal, Firmino Sampaio, e o assessor especial da Presidência da República, Vilmar Faria. "Colocarei pessoas que conheçam o sistema elétrico e que tenham esta visão da empresa", avisou Tourinho, referindo-se à preparação para a privatização.
No ano passado, o ministro promoveu a mesma modificação no conselho de administração da Petrobras, reduzindo seus membros e alterando o estatuto da estatal. Tourinho avisou que passará a participar mais do dia-a-dia da Eletrobrás. Se for necessário, disse o ministro, o estatuto da empresa poderá ser alterado para comportar as mudanças.
Tourinho garantiu que a saída do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, não afeta o processo de venda do setor elétrico. "Não haverá descontinuidade de forma nenhuma", garantiu. O ministro disse lamentar a saída de Calabi, que é seu amigo pessoal, mas ressaltou que no caso da venda das empresas do setor elétrico o relacionamento é entre o Ministério de Minas e Energia com o BNDES, não dependendo de quem está no comando destes órgãos.
Como novo coordenador do processo de venda das empresas estatais, Tourinho adiantou que mantém a meta de venda das três empresas de geração de energia (Furnas, Chesf e Eletronorte), ainda este ano. "Irei construindo as soluções todas ao longo do tempo", disse o ministro. Ele lembrou que o governo considera ideal vender para um sócio estratégico o bloco de controle de 50% mais uma ação da empresa. O restante poderá ser pulverizado.
O ministro adiantou ainda que está sendo estudada uma forma de garantir a construção da usina nuclear de Angra III. Uma das possibilidades é dar como garantia do financiamento externo para construção da usina a energia a ser gerada. Resolvidos os problemas políticos e operacionais, a empreiteira que fizer as obras receberá a como pagamento a energia gerada, podendo comercializá-la no mercado de atacado de energia.


