Conselho da Criança quer alterar cola de sapateiro
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 03 (AE) - O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) avalia a possibilidade de propor a substituição de ingredientes tóxicos da cola de sapateiro para tentar reduzir o uso do produto por menores. A simples proibição de venda a crianças e adolescentes, adotada em alguns Estados, não tem inibido o consumo, pois a compra pode ser feita por intermédio de adultos.
"A inalação de cola continua sendo uma das causas da violência, até mesmo nas escolas", disse a diretora do Departamento da Criança e do Adolescente do Ministério da Justiça, Olga Câmara. Ela levou o assunto para a última reunião do Conanda, do qual é conselheira, e foi formado um grupo de trabalho encarregado de recolher informações técnicas e médicas, com o apoio do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal.
De acordo com a diretora as principais substâncias tóxicas da cola são os solventes benzeno e tolueno. "Queremos saber se seria possível manter a capacidade do produto alterando sua fórmula."
Proibição - Alguns Estados adotaram medidas para coibir o uso inadequado da cola. Isso foi feito no Acre, por exemplo, onde a venda é proibida para menores. Mas o resultado não é o esperado, pois adultos "inescrupulosos" compram o produto para repassar à crianças e adolescentes viciados. Todos os Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente estão tentando recolher dados sobre o assunto.
A próxima reunião do Conanda será nos dias 19 e 20. "Queremos, até lá, ter maiores informações sobre as substâncias da cola e sugestões preventivas", informou a diretora. Um folheto produzido pelo Centro Piloto de Educação e Prevenção ao Uso de Drogas, da Academia de Polícia Civil do Distrito Federal, mostra que a ação principal da cola inalada é a depressão do sistema nervoso central.
Após o uso a pessoa fica excitada, tem tontura e perturbação auditiva, em seguida vem a desorientação e a perda de controle sobre seus atos, e depois o consumidor da droga fica trôpegoa e com a voz enrolada. Em caso de uso continuado há prejuízo irreversível à memória e lesões cerebrais, com destruição de neurônios, brônquios e rins.


