Conselho critica posição da Igreja contra preservativo
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quinta-feira, 06 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Conselho Nacional de Sa© úde aprovou hoje moção criticando a posição da Igreja Católica contra o uso de preservativos na prevenção da Aids. Referências diretas à Igreja foram suprimidas para garantir a aprovação do documento, que defende a distribuição gratuita de camisinhas nas campanhas preventivas e condena posições contrárias ao uso e à eficácia do preservativo, inclusive falseando evidências científicas.
A referência a falsas evidências científicas diz
respeito a uma informação incorreta divulgada pela Igreja, segundo a qual as camisinhas teriam eficácia máxima de 65% para evitar a transmissão do vírus HIV. Tais posicionamentos colocam em risco a saúde da população, diz o texto, que teve voto contrário dos representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, e das comunidades científicas, Mozart de Abreu e Lima.
O Ministério da Saúde informa que os preservativos evitam o contágio em 95% dos casos, incluídos aí os rompimentos decorrentes de má utilização e conservação. O documento aprovado pelo conselho registra que 100 mil brasileiros já morreram infectados pela Aids, enquanto cerca de 530 mil são portadores do HIV.
Ao mesmo tempo em que a cúpula da Igreja condena a camisinha, a base atua na prevenção e assistência, disse o representante dos Movimentos de Luta contra a Aids, Mário Scheffer, autor da proposta de moção. Segundo ele, a posição contrária da CNBB pode inibir o trabalho de Organizações Não-Governamentais católicas que atuam em campanhas de prevenção e assistência a doentes no País.


