Conselho cassa registro de auxiliar de enfermagem acusado de matar pacientes
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quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 22 (AE) - Em votação unânime, o Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ) cassou hoje o registro profissional do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, acusado de matar quatro pacientes no Hospital Municipal Salgado Filho, na zona norte da cidade. Preso em maio, Guimarães confessou o assassinato de seis pacientes - por meio de injeções cloreto de potássio - em entrevistas à imprensa. Mas, em depoimentos à delegada Marta Cavalliere, da Delegacia de Homicídios, então responsável pelo caso, negou envolvimento nas mortes, alegando ter sido coagido por policiais para confessar.
A relatora do processo ético pelo qual Guimarães respondeu, Iva Maria Barros Ferreira, conselheira do Coren-RJ, solicitou uma gravação feita pela TV Globo na qual o auxiliar de enfermagem diz que cometeu os assassinatos porque passava por dificuldades financeiras. Com os mortes, ele teria recebido dinheiro das agências funerárias às quais os corpos foram encaminhados. "Ele maculou profundamente nossa honra profissional", disse a relatora. Os membros do Coren-RJ entenderam que Guimarães infringiu 17 artigos de seu Código de Ética (de 1993), sobre as proibições e os deveres dos profissionais de enfermagem. Consta do processo de Guimarães afirmações de que ele "não demonstra qualquer prova de remorso" e "é portador de desvio de conduta séria". Decisão precipitada - O advogado de Guimarães, Arisnaldo de Oliveira Paiva, havia requerido suspensão condicional do processo de cassação, alegando que o conselho deveria aguardar o parecer da Justiça sobre o caso. Paiva classificou de "precipitada" a decisão. "Eles não atentaram para a hierarquia das leis", afirmou. "Um processo administrativo não pode se sobrepor a um processo judicial", argumentou.
O julgamento criminal está marcado para o dia 17 de fevereiro, na 3ª Vara Criminal do 3º Tribunal do Júri. Apesar de ser suspeito de ter matado 131 pessoas na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT) do hospital, Guimarães só foi denunciado pelas mortes que aconteceram no dia de sua prisão, 07 de maio.


