Conselho avalia impacto de recessão brasileira
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
por Monica Yanakiew 
Washington, 28 (AE) - Ao contrário do que aconteceu no Mexico em 1994, com na ásia em 1997, e na Rússia em 1998, a crise financeira que estorou este ano no Brasil foi "doméstica". A instabilidade na maior economia da América Latina não contagiou a região e seu impacto sobre o resto do mundo, pelo menos por enquanto, tem sido pequeno. Mesmo assim, os Estados Unidos tem motivos para ficarem preocupados.
Segundo o Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos, a recessão brasileira pode ter um impacto grande nas economias de cinco estados americanos e colocar em risco cerca de 220 mil empregos. De todos, o mais afetado será a Flórida, cujas exportações tem como principal destino o mercado brasileiro.
O Brasil é hoje o décimo-primeiro mercado para os bens e serviços americanos. Em 1997, os EUA venderam US$ 15 bilhões aos brasileiros - a mesma quantidade que exportaram para a França e 25% a mais do que enviaram à China.
"Ninguem aqui diria que nosso comércio com os franceses é pouco importante", disse Mark Smith, que dirige a secção americana do Conselho. "Além do mais, com o Brasil temos um superávit comercial de US$ 6 bilhões", acrescentou.
Numa reunião no Congresso americano, para discutir o impacto da crise brasileira no comércio internacional, Smith falou da situação específica de cinco estados americanos. Nos últimos cinco anos, o Brasil se converteu no principal mercado da Flórida. Nesse periodo, as exportações do estado cresceram 255%.
"Em 1993, apenas 5% das exportações da Flórida eram destinadas ao Brasil", disse Smith. "Hoje essa cifra pulou para 11,3%", acrescentou.
Segundo David Kofino, o vice-presidente do Union Planter Bank (um banco do sul da Flórida) o estado tambem sentirá o impacto da recessão brasileira na sua indústria de turismo.
Kofino lembrou que em 1997, 513 mil brasileiros visitaram Miami e gastaram US$ 700 milhões - algo que dificilmente voltará a ocorrer, agora que o dólar ficou muito mais caro no Brasil. "Segundo os economistas, a crise do Brasil pode produzir um impacto de US$ 40 bilhões sobre as empresas americanas", disse Kofino. Outros quatro estados americanos devem ser afetados pela recessão brasileira, na opinião de Smith. Entre 1993 a 1997, suas exportações ao Brasil viveram um "boom": as de Illinois cresceram 262%, as de California e Nova York aumentaram em 110%, e as do Texas 67%.
O Brasil hoje representa o oitavo maior mercado internacional do Texas, o nono de Illinois, o décimo-rpijmeiro de Nova York e o décimo-sétimo da Califórnia. Segundo Smith, o Congresso americano precisa levar em consideração outro elemento ao analisar a crise brasileira: a falta de um acordo de preferências comerciais, igual ao que os EUA tem com o México e o Canadá (seus dois sócios na zona de livre comércio Nafta).
"Quando o México fez uma desvalorização parecida à brasileira em 1995, nosso acesso preferencial ao mercado mexicano foi protegido pelo acordo de Nafta", disse Smith. Quem mais perdeu com a crise foi a Europa e a ásia.


