Conselho autoriza cirurgia bariátrica para mais pacientes
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2017
Natália Cancian<br>Folhapress 

Brasília - O CFM (Conselho Federal de Medicina) anunciou nesta quinta-feira (7) novas regras que ampliam a indicação da cirurgia bariátrica para o tratamento de pacientes com diabetes, incluindo aqueles com obesidade leve. Com a mudança, a cirurgia passa a ser indicada também para pacientes com diabetes tipo 2 não controlado e IMC (índice de massa corporal, que é o peso dividido pela altura ao quadrado) entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m².
Até então, eram candidatos à cirurgia apenas pacientes com obesidade grave ou moderada, ou seja, com IMC maior que 40 kg/m² ou maior que 35 kg/m² em caso de doenças associadas, caso de diabetes e hipertensão, por exemplo.
A mudança consta de nova resolução aprovada pelo conselho. A previsão é que as novas regras passem a valer já na próxima semana, após publicação no Diário Oficial da União. Além do IMC e da ausência de resposta ao tratamento clínico, outros critérios para a indicação da bariátrica nestes casos são a idade mínima de 30 anos e máxima de 70 e ter menos de dez anos de diagnóstico de diabetes.
Já a indicação cirúrgica deve ser feita obrigatoriamente por dois médicos endocrinologistas. A resolução também exige parecer que comprove ao menos dois anos de tratamento clínico do paciente, sem sucesso no controle glicêmico. "O que o conselho faz é abrir mais uma possibilidade de controle da doença", disse Mauro Luiz de Brito Ribeiro, presidente do CFM em exercício.
Para o conselho, a mudança tem o objetivo de reduzir as taxas de complicações e mortes associadas a diabetes no país. Hoje, a incidência de diabetes tipo 2 é uma das principais causas de AVC, síndrome coronariana, insuficiência renal e cegueira.
A ampliação da indicação da cirurgia bariátrica, porém, também tem sido alvo de debates entre especialistas, que temem que o procedimento passe a ser recomendado em casos em que não há necessidade. Para Ribeiro, a exigência de avaliação por dois endocrinologistas e comprovação de tratamento clínico por ao menos dois anos antes da cirurgia ajudará a evitar o problema.
OUTROS REQUISITOS
De acordo com a resolução, apenas hospitais de grande porte que façam cirurgias de alta complexidade e que tenham plantonistas 24h e UTI poderão realizar esse tipo procedimento. O texto também diz que a cirurgia metabólica é contraindicada para dependentes químicos, pacientes que façam abuso de álcool ou aqueles com quadro depressivo grave, entre outros.


