Conselho aprova relatório que recomenda cassação de Garib; deputados denunciam suposto suborno
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Fred Ferreira, especial para a AE 
São Paulo, 23 (AE) - O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa aprovou hoje, por unanimidade, o relatório do deputado Elói Pietá (PT), que recomenda a cassação do deputado Hanna Garib (suspenso do PPB) por quebra de decoro parlamentar. O assunto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, antes de seguir para votação em plenário. Hoje, dois deputados denunciaram que foram procurados por desconhecidos para mudar suas posições no Conselho e votar a favor do arquivamento do processo que estuda a cassação do ex-vereador do PPB.
O deputado Cícero de Freitas (PFL) garantiu ter recebido oferta para votar a favor de Garib na comissão, embora o "desconhecido" não tenha revelado o valor. "Na sexta-feira à noite, um desconhecido me abordou quando estava indo embora e perguntou se eu aceitaria alguma oferta para mudar meu voto no caso do Garib", acusou Freitas, que confirmou a denúncia em discurso no plenário da Assembléia. "Ele não disse o valor porque eu recusei imediatamente". O pefelista disse que comunicou o fato imediatamente ao presidente da Assembléia, Vanderlei Macris (PSDB) e ao presidente do Conselho, deputado Carlos Sampaio (PSDB). Até o começo da noite, Macris e Sampaio não se pronunciaram sobre o assunto.
O deputado Celso Tanauí (PTB), membro do Conselho de Ética, também confirmou ter sido procurado por um "desconhecido" para alterar seu voto. "Uma pessoa me procurou nos corredores da Assembléia e perguntou se haveria a possibilidade de mudar o voto no processo do Garib", garantiu Tanauí. "Ele não falou em dinheiro, mas veio com esse tipo de assunto". Garib negou veemente as acusações. "Tenho a informar que se trata de mais uma fantasia dos que pretendem infamar-me"
citou Garib em nota oficial à Imprensa. Preliminarmente, a equipe do ex-vereador trabalha com a hipótese de "armação". "Será que não fizeram isso de propósito para tentar comprometer o deputado e aprovar o relatório do Pietá?", perguntou um assessor de Garib. Isenção - Na terça-feira, o presidente da Assembléia reuniu os membros do Conselho para, segundo ele, "amparar o trabalho da comissão e lembrar que a sociedade estaria de olho na Assembléia". Vários deputados confirmaram, entretanto, que a reunião ocorreu porque as denúncias de "mala preta" já teriam chegado a seu conhecimento. O presidente teria "avisado" aos parlamentares que os boatos tinham se espalhado e solicitado "isenção" na votação do dia seguinte.
O relatório de Pietá, aprovado por unanimidade no Conselho de Ética, acusa Garib de chefiar o esquema de propinas na Administração Regional da Sé. Durante sessão tumultuada, o advogado de Garib, Alberto Rollo, criticou a imprensa de modo geral e levantou suspeitas quanto à idoneidade de um repórter. O discurso de Rollo causou revolta entre os parlamentares, que subiram à tribuna para defender a Assembléia e a imprensa.
Garib disse que já esperava o resultado da votação do Conselho. "Não me surpreendeu", disse. Rollo também não se espantou. "O resultado já era esperado, principalmente depois da pressão do Macris", criticou o advogado. De acordo com o deputado, a hipótese de renúncia antes da votação em plenário está "afastada" por impedimentos jurídicos e regimentais. A cassação do deputado poderá ser votada ainda neste semestre no plenário da Assembléia.
A deputada Célia Leão (PSDB), presidente da CCJ, disse que a comissão deverá se manifestar até sexta-feira quanto à legalidade do projeto de resolução. Depois de analisado pela CCJ, o projeto segue para votação em plenário - secreta e por maioria simples (48 votos). O deputado Edmur Mesquita (PSDB) protocolou hoje Proposta de Emenda Constitucional para que a votação em plenário dos casos de cassação de mandato não seja mais secreta.


